Bahia tem 300 fiscais para 10 milhões de cabeças de gado

30/06/2009

Bahia tem 300 fiscais para 10 milhões de cabeças de gado


 

Responsável por um terço de tudo que é produzido no país, o agronegócio é o setor mais importante da economia brasileira e ao contrário do que se pensava inicialmente, também vem sendo abalado pela crise financeira internacional, que nasceu nos Estados Unidos – um dos principais importadores dos produtos brasileiros – e hoje atinge o mundo. A Bahia convive com dificuldades ainda maiores. Com um rebanho de 10,7 milhões de cabeças de gado, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado não tem estrutura para exportar carne para fora do país e é obrigado a baratear o produto, dentro do mercado nacional, para não perder vendas frente aos grandes investidores. Além disso, o Estado só tem 300 fiscais para atender ao rebanho de10,7 milhões de cabeças e todo o setor agropecuário.

Os números da Secretaria da Agricultura do Estado da Bahia apontam para 11,5 milhões de cabeças, sendo que há um excedente de 1 milhão de cabeças, por ano, que não são consumidas internamente. Estatística que só existe devido à deficiência em vender os produtos para o exterior. De acordo com o economista e professor Jackson Ornelas, assessor da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI), apenas cinco abatedouros baianos têm autorização para exportar carne para outros países.

"Em sua maioria são empresas muitas pequenas que não têm estrutura para mandar produto para fora do país", diz destacando que a última ocorrência de febre aftosa no estado foi há mais de 10 anos e não justificaria esta falta. "Nossos gados são em mais de 95% vacinados", reforçou.

As carências de recursos na produção, estocagem e transporte dos produtos são as principais razões para a problemática. "Não temos nem mesmo um porto de contêineres específico para este tipo de produto", completa Jackson Ornelas. Segundo ele, todos os negócios, relacionados à agropecuária vêm sofrendo desde o início da crise e os setores mais atingidos têm sido a produção de grãos e carnes. "Exportamos também muitas frutas para os Estados Unidos e Europa, que reduziram muito suas compras por conta da recessão", além das restrições atuais, a Bahia sofre frente à grande concorrência com as grandes empresas do Sul e de outras regiões do país.

"Os empresários que exportam têm maior capacidade de baixar os preços dentro do Brasil, já nós que não exportamos e temos lucros menores que eles, somos obrigados a equiparar os nossos preços com os deles para não deixar de vender", explica.

A crise gerou ainda a falta de crédito para os produtores, que também sofreram com a falta de chuva em março e abril e excesso em maio o teria, prejudicado ainda as plantações de algodão. "Apenas os produtores de feijão e outros itens que são consumidores internamente não sofreram nenhum reflexo".

Os problemas não acabam por aqui. Responsáveis pela inspeção de todos alimentos que são produzidos no país e portando pela qualidade dos produtos exportados, os cerca de 3 mil fiscais federais agropecuários, não conseguem inspecionar nem 50% da produção nacional.

Presidente nacional do sindicato da categoria, Wilson Roberto de Sá calcula que exista atualmente um déficit de cerca de 6 mil profissionais no país. "O último concurso público aconteceu em 2006, quando foram preenchidas 390 vagas", destacou, reforçando que muitos fiscais em época de se aposentarem, continuam trabalhando para não perder benefícios. "Se estas pessoas se aposentarem teremos um problema ainda maior".

Com objetivo de se apresentar à sociedade, divulgando a importância da atividade e assim obtendo a regulamentação da profissão – maior luta da categoria – os fiscais federais participaram, ontem pela manhã, do Encontro Estadual dos Fiscais Federais Agropecuários, no Portobello Eventos, em Ondina.

A superintendente estadual, Maria dos Santos Sodré, salientou que apesar da carência de profissionais – com um contingente de 300 fiscais –, o estado tem sido bem atendido nesse sentido. "A função do fiscal federal de agropecuária é de extrema importância para a sociedade e é responsável pela segurança nacional".