Palmito: produtividade e renda

06/07/2009

Palmito: produtividade e renda

Projeto em parceria inclui pequeno produtor no cultivo de pupunha

 

Agricultores familiares de 20 municípios do sul da Bahia serão beneficiados por um projeto que o governo do Estado está desenvolvendo em parceria com a Indústria Inaceres, para inseri-los na produção de pupunha.

A proposta visa à geração de emprego e renda e está sendo avaliada dentro do Plano de Desenvolvimento e Diversificação Agrícola na Região Cacaueira do Estado da Bahia (PAC do Cacau). O gerente regional da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) em Itabuna, Franklin Passos, diz que o projeto é bom porque insere agricultores familiares na cadeia produtiva da pupunha e diversifica a região com novos cultivos.

Para o produtor José Simões, em Ubaitaba, toda a cadeia produtiva será beneficiada com o projeto porque vai fixar o homem à terra, gerando emprego e renda. A indústria terá maior oferta de matéria-prima e a região ganha um projeto agrícola sustentável, porque o palmito de pupunha será cultivado em áreas degradadas e abandonadas.

PLANOS – De início, o projeto seria implantado em Uruçuca, onde a Inaceres tem indústria de produção de palmito cultivado, e em outros municípios próximos, onde atua com 140 produtores integrados, segundo o diretor da empresa, Roberto Ribeiral, que manteve contato com a prefeitura de Uruçuca e o secretário estadual da Agricultura, Roberto Muniz, para o planejamento.

O primeiro passo é o credenciamento dos agricultores que poderão participar do projeto, mas nem todos entrarão de primeira, porque existem alguns gargalos: o maior deles é a falta de sementes para fazer o viveiro. A Inaceres trabalha com sementes certificadas, de Rondônia.

MANEJO – O produtor José Simões vê mais dificuldades na falta de assistência técnica, porque a atividade é nova na região, por isso falta pessoal preparado para dar assistência adequada. Simões é um dos produtores integrados, que fornecem palmito à Inaceres e diz que vem fazendo experimentos para descobrir melhores formas de manejo.

Ribeiral propõe começar devagar, em pequenas áreas de dois hectares para cada agricultor, usando material de qualidade, para que ele, aos poucos, conheça a atividade e não fique dependente dos técnicos da Inaceres.

O projeto pode começar no ano que vem, distribuindo os agricultores em uma área de 300 hectares. O investimento inicial é de R$ 5 mil por hectare, dependendo da quantidade de plantas/ hectare. A mão-de-obra é manual e leva 40% da rentabilidade da cultura, mas agricultores familiares não têm esse custo e nem terão despesas com assistência técnica, que será dada pela Inaceres.

Restam despesas com a compra das mudas e com os fertilizantes. Cada item representa 30% do investimento, mas a pupunha dá retorno rápido, com um ano e meio começa a produzir. Em três anos alcança produtividade máxima, podendo gerar renda anual de R$ 4 mil por hectare. O produtor Simões destaca que, por falta de matéria-prima, a indústria ainda trabalha com metade de sua capacidade, por isso pensa em lucro maior.

Os 15 mil palmitos/hectare que produz podem lhe render R$ 7 mil por hectare. Ele prevê boa lucratividade nos próximos dez ou 12 anos, porque a região ainda não terá excesso de produção.

INTEGRAÇÃO – Ana Cristina Souza dos Santos, engenheira agrônoma e chefe do escritório da EBDA em Camamu, diz que a presença da Inaceres na região foi um marco para a garantia de preço e mercado.

Antes o produtor ficava à espera de comprador, e, quando conseguia, o palmito já havia passado do ponto. Ou, pior, negociava com atravessadores, que pagavam com cheque sem fundos. Hoje, além da Inaceres, existem duas cooperativas que ajudam a regular os preços.

A Inaceres, que produz, industrializa e pesquisa o palmito cultivado, mantém um sistema de integração com 140 agricultores e tem quatro fazendas que geram mais de 300 empregos diretos na região, com investimentos de mais de R$ 20 milhões.

“Nossa produção gira em torno de seis milhões de hastes/ ano, com perspectiva de chegar a 10 milhões até 2012”, diz Ribeiral. A meta é substituir o palmito silvestre, extraído da Jussara, proibido por lei.

Segundo Ribeiral, o mercado consumidor já está preferindo o palmito cultivado, que é mais macio e não causa dano ambiental. A Inaceres trabalha com um mercado de R$ 300 milhões, e a região é a mais adequada para a produção do palmito cultivado, por causa do clima quente e chuvas bem distribuídas no ano.

A pupunha é uma cultura perene, de manejo simples e de baixo custo de manutenção.

Além disso, é sustentável, adequada a pequenas áreas, possui alta produtividade, podendo ser plantada a céu aberto, em pastarias degradadas.

A época do plantio vai de março a outubro. Ribeiral frisa que a qualidade da muda e a formação de viveiros são o segredo para o palmito de qualidade.