Seagri concentra esforços para o desenvolvimento da apicultura
Foto: Imprensa SEAGRI
A atividade apícola, que tem um forte apelo da juventude rural, barra o processo migratório no estado e tem servido como importante alternativa para a geração de emprego e renda no campo. A apicultura é uma das 20 atividades que está incluída de forma prioritária no Plano Estratégico que está sendo desenvolvido pela Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri). Com o trabalho, vai ser possível desenvolver a cadeia como um todo, concentrando os esforços nos principais gargalos, como a assistência técnica, crédito e infra-estrutura, a partir da implantação de casas de beneficiamento. A meta do órgão é ampliar a produtividade, passando de 32 para 50 caixas por apicultor.
A Seagri também tem apoiado eventos que visam o desenvolvimento do setor, é o caso do I Congresso Nordestino de Apicultura e Meliponicultura que acontece na capital baiana no período de 4 a 7 de novembro. Com o propósito de formalizar parcerias e patrocínios para a realização do evento aconteceu, no gabinete do secretário da Agricultura, um encontro entre os organizadores do evento e potenciais investidores da cadeia. A idéia é oficializar o apoio e garantir o sucesso do congresso, que deve reunir 1,5 mil pessoas. Foram entregues formulários de estimativa de cota, que deverão ser preenchidos e entregues até a próxima sexta-feira à comissão organizadora. O orçamento previsto para a realização é de R$428 mil.
Durante a reunião, o secretário Roberto Muniz firmou o compromisso com a realização do evento. “O momento não é fácil, mas vamos fazer de tudo para garantir o sucesso do Congresso”, declarou, lembrando que todas as instituições sentem o reflexo da crise financeira internacional e passam por um contingenciamento de despesas. “Queremos tornar esse evento importante para a economia do Estado”, completou o superintendente da Agricultura Familiar da Seagri, Ailton Florêncio.
Para o presidente da Federação Baiana de Apicultura e Meliponicultura (Febamel), Pedro Constan, o congresso vai ajudar a impulsionar a produção anual do Estado, que pode passar de 2,2 mil toneladas para 5 mil toneladas. “Para isso é fundamental a organização dos apicultores. Se os produtores não se organizarem em associações e cooperativas, é inviável a comercialização do mel com qualidade e a garantia de preço justo. A organização também serve de precedente para a inclusão em programas de incentivo à cadeia”, avaliou o representante da Febamel, lembrando que o mel é um produto de origem animal sujeito a uma legislação específica e a uma inspeção rigorosa.
Para ele, a importância do encontro está na unificação de políticas públicas e na discussão sobre importantes assuntos, como tributação e a implantação de entrepostos de exportação, ainda inexistentes na Bahia.
“Queremos ainda conscientizar e seduzir o povo brasileiro para incluir o mel na alimentação diária”, declarou Constan. O consumo interno de mel no país é de 60 gramas por ano, enquanto que na Europa é de 1,5 quilogramas. O superintendente do Sebrae/BA, Edival Passos, falou da importância de convidar os municípios com potencial produtivo de mel, as associações de supermercados e empresas de cosméticos que utilizam o mel na composição de seus produtos para ajudarem na viabilização do congresso, que também poderá contar com o patrocínio do Banco do Brasil, bancos particulares e empresas como a Aracruz Celulose.
A apicultura é uma atividade em franco desenvolvimento no Nordeste e já gera mais de 3,5 mil empregos sustentáveis na região. Segundo o IBGE, a produção nordestina de mel cresceu 305% de 2001 a 2007, passando de 3,7 milhões para 11,59 milhões de toneladas.
Com esse resultado hoje, o mel produzido nos estados nordestinos, com destaque para o Piauí, Ceará e Bahia, corresponde a 33,4% da produção nacional que, no mesmo período, teve uma expansão média de 56%, atingindo um total de 34,74 milhões de toneladas. Na Bahia, já foram cadastrados pela Seagri 10 mil apicultores e 38 estabelecimentos com inspeção. O trabalho diagnosticou uma produção anual de 2,2 mil toneladas e a geração de 600 empregos diretos nas indústrias.
O I Congresso Nordestino de Apicultura é fruto da parceria entre a Secretaria da Agricultura (Seagri), o Sebrae e a Febamel. O objetivo é fortalecer a cadeia regional utilizando conhecimentos e tecnologias adaptadas para as principais atividades (produção de mel e pólen), tendo como norteador a preservação ambiental, organização social, gestão e mercado. Para mobilizar os apicultores baianos a participarem do evento, estão sendo organizadas seis caravanas que percorrerão os principais pólos produtores.
Ascom/Seagri 06.07.2009
Ana Paula Loiola
3115-2767/2737