Artrite é diagnosticada pelo som
A expressão sonora emitida por suínos em fase de maternidade pode sinalizar a presença de determinadas patologias nos animais.
Partindo desse princípio, um trabalho realizado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), identificou a ocorrência de artrite em leitões por meio da vocalização emitida por eles.
Por mostrar o potencial dessa técnica não-invasiva para a identificação de doenças e para a aplicação em estratégias de manejo de animais para produção comercial, o estudo ganhou o Prêmio Destaque de Inovação Zootec 2009, na área de BioclimatologiaAmbiênciaEtologia.
A premiação ocorreu em Águas de Lindoia (SP), em maio, durante o congresso Zootec 2009, promovido pela Associação Brasileira de Zootecnistas (ABZ).
O trabalho foi realizado pela médica veterinária Natália Risi, que cursa o mestrado sob a orientação da professora Késia Oliveira da Silva, do Departamento de Engenharia Rural. A professora integra o Núcleo de Pesquisa em Ambiência (Nupea), da Esalq, que se dedica a estudos voltados para o bem-estar animal.
ESMAGAMENTO – A professora teve apoio da Fapesp na modalidade auxílio à pesquisa, para o projeto “Desenvolvimento de metodologia para avaliar o efeito acústico do ambiente no bem-estar dos suínos”. Natália teve bolsa de treinamento ligada ao uso de vocalização para identificar doenças em suínos. Segundo Natália, o problema da artrite em suínos é pouco abordado em pesquisas por causar baixa mortalidade, de 6,4%, segundo a literatura. A maior parte da mortalidade entre os leitões, segundo ela, é causada por esmagamento pelas mães.
“Entretanto, quem trabalha em campo sabe que a artrite propicia alto grau de debilidade, fazendo com que o leitão deixe de se alimentar, entre em um quadro de dor severa e passe a não competir pelo peito da mãe. Os animais nessas condições têm baixo ganho de peso e são tratados como refugo, são segregados e acabam morrendo”, disse.
De acordo com ela, a artrite pode ser diagnosticada clinicamente, mas para isso seria preciso avaliar os animais um a um com testes laboratoriais, o que é praticamente inviável em sistemas de produção de médio e grande porte. “O uso da vocalização para identificar a doença tem a vantagem de ser um método não-invasivo e que pode ser usado em grande escala”, disse.
O uso da vocalização para identificar a artrite, segundo Natália, abre uma linha de pesquisa que eventualmente pode ser aplicável a outras patologias. “O trabalho poderá servir como referência para pesquisadores que se interessem pela ligação entre vocalização e patologias”.
A veterinária avaliou suínos de uma granja, realizando coleta de expressão sonora dos animais saudáveis e com artrite. A partir desse material, trabalhou com sistemas de inteligência artificial para classificar as vocalizações.
“Usamos equações matemáticas capazes de captar o sinal bruto, que é a vocalização, processandoo numericamente e fornecendo suas frequências.
Depois trabalhamos com uma rede neural classificatória para o reconhecimento dos padrões.
Com isso, tivemos uma eficiência de 89% na identificação dos animais doentes”, explicou.
O objetivo do prêmio era reconhecer os trabalhos que apresentassem melhoramento de tecnologias, processos, serviços e práticas nos diversos campos que envolvem a produção animal com a garantia de que esses trabalhos contribuíam de forma significativa para a zootecnia.