Bahia joga no lixo o que poderia ser uma de suas maiores riquezas

13/07/2009

 Bahia joga no lixo o que poderia ser uma de suas maiores riquezas

 


Bahia é o maior produtor de coco do Brasil. São 565 mil toneladas por ano, o equivalente a 33% da produção nacional e 120% a mais que o segundo colocado, o Ceará. Apesar disso, o Estado joga no lixo grande parte do que poderia ser um novo produto na economia do Estado, a casca de coco.

De janeiro a abril de 2009, o Brasil exportou US$ 30,9 milhões em fibras naturais. Deste total, a fibra de coco e seus produtos participam com 0,23%. Apesar de a Bahia ser o maior exportador de fibras naturais do Brasil, não há dados específicos no Estado sobre a fibra de coco.

Neste caso, os estados exportadores são Pará e Minas Gerais. A casca do coco equivale de 80% a 85% do peso bruto do fruto verde.

Hoje, só na orla de Salvador, estimase que sejam consumidas algo em torno de um milhão unidades ao ano. Da casca do coco verde é possível extrair três subprodutos: o substrato ou pó, a fibra e um líquido chamado de “água da casca”. São produtos que admitem inúmeras utilizações, que vão desde substratos agrícolas até fabricação de estofamento e tecidos finos.

Uma das primeiras unidades de beneficiamento da casca de coco no País foi instalada na cidade de Conde (BA), em 1982, com finalidade de extração e beneficiamento de fibra de coco para a produção de almofadas.

Hoje, o município abriga as duas empresas que trabalham com o produto no Estado.

Ainda assim, as duas empresas trabalham exclusivamente com coco seco, o coco verde consumido nas praias continua indo para o lixo.

Em Ilhéus, uma empresa envasadora de água de coco iniciou projeto piloto de beneficiamento de casca, mas não foi adiante. Outra tentativa de fundar uma cooperativa no litoral norte foi suspensa por dificuldades financeiras.

A Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) tem fornecido assistência técnica a produtores e desenvolve um programa de recuperação e renovação da cultura do coco. Segundo o técnico da empresa, pesquisador e membro do projeto Companhia do Coco, Fernando Florence, é preciso organizar a cadeia produtiva para que a utilização da fibra do coco seja instituída efetivamente na Bahia.

Um empresário baiano que não quis ser identificado disse que teve dificuldades em beneficiar a fibra.

De acordo com ele, o maquinário é de difícil manutenção e a produção é lenta. Tecnologia desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) com recursos do Banco Mundial (Bird) vem dando certo no Ceará e já foi exportada para dez estados brasileiros.

Lá, o coco verde é beneficiado nas cooperativas de produtores e vendida para a indústria que utiliza os subprodutos.

A maior indústria de utilização da fibra do coco no Brasil fica em Ananindeua, no Pará. A Poematec é o fruto da união entre Universidade Federal do Pará, DaimlerChrysler e governo do Pará. Inaugurada em 2001, a empresa usa a fibra beneficiada em oito cooperativas e a produção atende ao mercado interno, além de ser exportada.