Cadeia produtiva do algodão atrai africanos
Cotonicultores estrangeiros estão em visita à região oeste baiana e demonstram interesse em assinar convênio técnico para a permuta de informações sobre o cultivo da planta
Uma comitiva de representantes da Confederação Africana dos Produtores de Algodão (Capa) termina amanhã, em Barreiras (município localizado a 855 km de Salvador), uma visita de quatro dias ao Brasil. Acompanhados do embaixador da República de Mali no Brasil, Gerard Scerb, os cotonicultores africanos vieram conhecer a região oeste da Bahia e demonstraram interesse na assinatura de um convênio técnico para a troca de informações sobre a cultura da fibra.
De acordo com o presidente da Capa, François Thaore, a missão objetivou, principalmente, “conhecer a gestão da cadeia produtiva do algodão da Bahia, em função da alta produtividade”.
Ao destacar o potencial do continente africano para a cultura do algodão, François Thaore ressaltou que “brasileiros e africanos sairão ganhando com a cooperação técnica”.
A Capa abrange 15 países localizados nas regiões oeste e central daquele continente e atinge 20 milhões de pequenos produtores.
Juntos, eles plantaram na última safra uma área de um milhão de hectares, com produção de aproximadamente 600 mil toneladas de algodão em pluma.
SURPRESOS – Ao se deparar com as extensas áreas características da região do cerrado baiano, os visitantes se mostraram surpresos, considerando que na África a média é de dois a três hectares por produtor e toda a produção é proveniente da Agricultura Familiar, semelhante ao que ocorre na região sudeste da Bahia e em outros estados como a Paraíba.
Outra diferença entre as duas realidades é a produção média por hectare que na África gira em torno de 300 kg a 400 kg de fibra em pluma por hectare, enquanto que a média no cerrado da Bahia é de 1.500 kg/ha.
“Viemos conhecer os produtores brasileiros e identificar grupos para estabelecer parcerias”, enfatizou Thaore.
Durante as palestras com técnicos e pesquisadores da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), da Fundação Bahia e da Embrapa Algodão, os estrangeiros demonstraram interesse também em conhecer detalhes sobre o algodão transgênico, pois, dos 15 países que fazem parte da Capa, apenas um já liberou o uso da semente geneticamente modificada.
ASSOCIATIVISMO – Para o diretor de Agricultura da secretaria de Desenvolvimento Econômico e Agronegócio do município de Barreiras, Franklin Lima, os brasileiros têm muito o que aprender com os africanos “especialmente no quesito do trabalho com associativismo e cooperativismo, que eles fazem com maestria e no Brasil temos encontrado dificuldade”.
Ele asseverou que a visita dos africanos “se originou de uma viagem que Jusmari Oliveira (hoje prefeita de Barreiras) fez àquele continente, quando ainda era deputada federal, justamente para abrir esse caminho de negociação”.
De acordo com Franklin, foi decisiva “a capacidade de trabalhar em grupo que eles têm e de entrar no mercado consumidor da fibra”.
Fazem parte da comitiva o secretáriogeral da Capa, Essohana Soh, da Costa do Marfim, e o tesoureiro da Capa, Mamadou Quattara, da República de Mali.
Hoje a visita dos representantes do continente africano será nas grandes fazendas produtoras de algodão da região de Novo Paraná, no município de Luís Eduardo Magalhães, onde ontem eles também conheceram beneficiadoras e laboratórios de classificação da fibra.
Em Barreiras eles terão reuniões na Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) e na Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa).