Seguro agrícola não contempla fruticultura
O seguro agrícola, uma das principais reivindicações dos fruticultores da região do São Francisco, ainda é visto como um problema sem solução, pelo menos a curto prazo. Este foi o posicionamento do superintendente de agronegócios da Allianz Seguros, Luiz Carlos Meleiro. Ele comentou sobre a dificuldade dos fruticultores do São Francisco durante o Fórum Internacional de Seguros para Jornalistas, realizado pela Allianz, no Hotel Interamericano, em São Paulo.
Segundo Meleiro, seguradoras e fruticultores reuniram-se no início de junho em Juazeiro para discutir a possibilidade de abertura de apólices que contemplem a fruticultura irrigada, mas não houve consenso. “Durante estas negociações, não encontramos alternativas junto ao mercado”, disse.
Ele explica que aproximadamente 90% do risco dos seguros agrícolas do País são assumidos pelas empresas resseguradoras e que, neste caso, elas pediram mais dados aos produtores para estudar a viabilidade do mercado de assumir este risco. “É preciso haver dados e levantamentos confiáveis para que as resseguradoras assumam este risco”, disse Meleiro.
SAFRA – As chuvas do início do ano provocaram a perda da safra durante dois anos, por isso, produtores do São Francisco suspenderam a safra do primeiro semestre em 2009. Segundo os produtores, quem arriscou plantar alguma coisa perdeu a produção. Levantamento apresentado por Meleiro mostra que soja, milho, maçã e trigo são as culturas que recebem maior cobertura das empresas de seguros. No caso da Allianz, Meleiro explica que a empresa não trabalha com fruticultura.
Existem, hoje, no Brasil nove empresas que concedem seguro agrícola e 13 resseguradoras.
Segundo projeção do Ministério da Agricultura, devem ser assegurados em 2009 R$ 12,5 bilhões em produção. A estimativa prevê que 8,1 milhões de hectares de áreas plantadas devem ser cobertas pelo seguro agrícola no País, atendendo 90 mil pro dutores.
De acordo com Meleiro, os problemas climáticos são a principal causa de prejuízo. Em 2009, a seca no período de plantio provocou o atraso da colheita de diversas culturas, como o algodão e o milho, na Bahia. O prejuízo estimado para o Estado é de R$ 120 milhões, apenas nas culturas asseguradas, não é o caso da fruticultura.
Além disso, muitos seguros agrícolas contam com subvenção federal, não é o caso da manga e da uva produzidas no São Francisco. Em 2009, a subvenção varia entre 30%, para culturas como abacate, abacaxi, alface e alho, e 70%, no caso do feijão, milho e trigo. Segundo Carlos Meleiro, alguns estados já implantaram subvenção estadual para culturas locais. No caso da Bahia, o incentivo está em fase de estudo.