Plantel leiteiro mais vitaminado

27/07/2009

Plantel leiteiro mais vitaminado

 

 

Cerca de 50 bezerros com, no máximo, três meses, são atração entre produtores de agricultura familiar no município de Wanderley, que tem um rebanho estimado em 100 mil cabeças. São os primeiros filhotes de um programa que visa melhorar a genética do plantel leiteiro na região oeste, considerada uma das maiores produtoras de gado de corte do Além São Francisco.

De acordo com o chefe do escritório da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) em Wanderley, o médico veterinário José Cabral de Lira, através de um diagnóstico realizado pelo órgão, a conclusão é que o principal entrave para a produção de leite no município era a carência de tecnologia.

A formação de uma parceria entre a Associação dos Produtores de Leite de Wanderley (Aproleite), a secretaria municipal de agricultura e a EBDA, com apoio de empresas privadas e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, já possibilitou a inseminação artificial em 170 matrizes do rebanho da agricultura familiar, a um custo de R$ 20 por animal, enquanto que a média cobrada no município é de R$ 60 por cabeça.

A expectativa é que mais 80 matrizes sejam inseminadas nos próximos meses.

Coordenador do programa, Cabral, como ele é mais conhecido, destaca que as matrizes que estão sendo inseminadas são as que o produtor já tem na propriedade.

“Nas mestiças com nelore, usamos o sêmen das raças holandesa e girolando. Já nas vacas mais chegadas ao sangue holandês, utilizamos sêmen de gileiteiro, raça mais azebuada”, explica, acrescentando que a holandesa não é recomendada para a região, devido ao clima quente.

Para ele, só a melhoria genética do rebanho não é suficiente.

“Tudo tem de ser acompanhado: manejo sanitário à altura, melhor alimentação e suplementação mineral, pois não se pode conciliar alta tecnologia sem a estrutura necessária de apoio”.

PRODUTIVIDADE – Desde que teve início a implantação do programa, a produção do município passou de uma média de oito mil litros/dia para 12 mil litros/dia, festeja o presidente da Aproleite, José Conceição, destacando que os produtores de leite começaram a se animar com a implantação de um laticínio em Wanderley e em outros municípios da região. Ele explica o aumento da produção no fato de os criadores terem comprado matrizes com vocação leiteira já em fase de produção.

Como representante dos produtores, ele reclama, no entanto, que o preço do litro a R$ 0,50 não está satisfazendo à categoria.

“Deveria ser, pelo menos, R$ 0,70 o litro”, enfatiza. Proprietária de laticínio, Sônia Elisa Maroso Andrade diz que paga R$ 0,60 por litro, sendo R$ 0,10 para o transporte.

“Já sugerimos que a associação consiga um caminhão específico para fazer este transporte, o que vai repercutir positivamente”, afirma.

Sônia, que há três anos está no mercado, salienta a mudança que a produção de leite está proporcionando.

“Antes, o pequeno produtor só tinha a renda sazonal com a venda dos animais para corte e agora ele tem uma renda fixa todos os meses”, diz.

O queijo mussarela e o frescal, a manteiga e o creme de leite produzidos no laticínio são comercializados na região oeste da Bahia e começam a ser vendidos também em outras regiões do Estado.

Até o final de agosto, a indústria estará disponibilizando iogurte, achocolatado, queijo Melhoria genética e manejo sanitário: aliados na pecuária coalho e leite pasteurizado.