Preservação da natureza e geração de renda
No pedaço de terra herdado pela mãe na roça Santo Antônio, na Vila Camboinha, em Itacaré, o agricultor Edinis de Jesus Santos, 42 anos, sempre se dedicou à sua pequena horta.
Plantava legumes, verduras e vendia os produtos. Com o dinheiro ganho, alimentava o desejo de construir e equipar um viveiro de mudas de árvore.
O sonho de ter o viveiro virou realidade e hoje seu Edinis é um dos agricultores que contribuem para a recomposição de áreas florestais do Parque do Conduru, no sul da Bahia, por meio do programa Floresta Bahia Global.
O secretário de Meio Ambiente, Juliano Matos, observa que o Floresta Bahia Global é um programa que está em consonância com o Tratado de Kioto, ratificado em 2005 por 160 países, entre eles o Brasil.
Compromissos – O acordo estabelece o compromisso de contribuir para a redução de emissão de CO2. "Com a iniciativa inédita no país, o Governo da Bahia passa a estimular a adoção de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) pelos empreendimentos no estado, buscando reduzir a emissão de gases que provocam o chamado efeito estufa", destacou Matos.
Implantado no ano passado pela Secretaria do Meio Ambiente (Sema), o programa busca a recomposição de áreas desmatadas e a neutralização de carbono nos parques estaduais.
Uma das vertentes do programa consiste na aquisição pela Sema, em parceria com a ONG Instituto Floresta Viva, de mudas produzidas pelos pequenos agricultores para recuperação das áreas degradadas.
Parcerias – O superintendente de Políticas Florestais, Conservação e Biodiversidade da Sema, Marcos Ferreira, disse que vários parceiros têm sido envolvidos gradativamente para colaborar nas ações de recomposição de áreas desmatadas em reservas florestais.
No Conduru, a ONG Instituto Floresta Viva é responsável pela execução do plantio de espécies nativas. O Parque de Pituaçu, em Salvador, e as áreas da Estação Ecológica Wenceslau Guimarães, no município de Wenceslau Guimarães, no Baixo Sul, serão os próximos endereços beneficiados com o programa.
O coordenador do Núcleo de Restauração Ambiental do Instituto Floresta Viva, Volney Fernandes, afirmou que a atividade no Conduru gera emprego e renda para a comunidade local, além de se tornar uma matriz economicamente sustentável.
Viveiros rústicos – "Eles investem na implantação de viveiros rústicos, na aquisição de equipamentos como motobombas para irrigação e abastecimento doméstico, reforma e ampliação de moradia e compra de insumos para produção de hortaliças", observou o coordenador.
Hoje, os 32 viveiros rústicos promovem a recuperação de áreas florestais e a consolidação do comércio de mudas nativas na APA Itacaré-Serra Grande.