Produção de abacaxi em Itaberaba e região pode dobrar área plantada

27/07/2009

Produção de abacaxi em Itaberaba e região pode dobrar área plantada

 

Principal referência da Bahia na cultura do abacaxi, Itaberaba e outros municípios da região serão destacados no plano estratégico da Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri), como aptos para receber recursos para investimentos do Banco do Nordeste do Brasil e do Banco do Brasil.

A informação foi prestada pelo secretário Roberto Muniz, durante seminário promovido, em Itaberaba, pela secretaria, por meio da Agência de Defesa Agropecuária do Estado da Bahia (Adab), no Auditório do Colégio-Modelo Luiz Eduardo Magalhães.

Muniz desafiou os produtores a dobrar a área plantada e o faturamento, afirmando que "o abacaxi é o caminho para essa região", sendo necessário diversificar as culturas para dar sustentabilidade à agricultura familiar. "Pretendemos dobrar a produção do abacaxi na região, expandir para municípios vizinhos e buscar o selo de qualidade", enfatizou.

A cultura do abacaxi em Itaberaba ocupa hoje quatro mil hectares de área cultivada com, aproximadamente, dois mil produtores. A atividade gera cerca de seis mil empregos diretos e indiretos, com receita anual de R$ 60 milhões.

"Essa é uma alternativa para geração de emprego e renda na região. Queremos ampliar a área plantada, garantindo capacitação e assistência técnica aos produtores, mas sem deixar de diversificar, abrindo espaços para outras culturas", disse Muniz.

Ele defendeu ainda a verticalização da cadeia produtiva, apontando o caminho da industrialização com a implantação de fábricas na região. "Temos que estruturar a produção, pensar numa fábrica na região para verticalizar o processo e agregar valor à cadeia produtiva, e focar no mercado internacional."

Produção está concentrada

A Bahia é o maior produtor de frutas frescas do país e ocupa o 4o lugar na produção nacional do abacaxi. O Pará lidera o ranking, seguido da Paraíba e Minas Gerais.

O município de Itaberaba, localizado a 266 quilômetros de Salvador, no semiárido baiano e na região do Rio Paraguaçu, e a cidade de Coração de Maria, a 114 quilômetros da capital, respondem por mais de 65% da produção de abacaxi em toda a Bahia, sendo essa cultura o principal sustento econômico da região.

Em visita à Fazenda Itagiba, que tem 30 hectares plantados, o secretário Roberto Muniz conheceu de perto as fazes de produção do abacaxi, acompanhado por lideranças locais e pelo presidente da Cooperativa dos Produtores de Abacaxi de Itaberaba, Valdomiro Vicente Victor.

Qualidade – Para o técnico Nelson Matias, que representou o prefeito de Itaberaba, João Almeida Mascarenhas Filho, na abertura no seminário, "o município é o maior produtor de abacaxi da Bahia, e reconhecido por produzir o melhor abacaxi do Brasil, graças ao trabalho de 20 anos feito pela EBDA, Adab, BNB, BB e cooperativa dos produtores."

O secretário Roberto Muniz estimulou os agricultores a participarem da Cooperativa dos Produtores de Abacaxi de Itaberaba, afirmando que "para ter poder de barganha na hora de negociar e de comprar insumos é preciso que haja organização, e isso só se faz com a participação dos produtores."

Variedades – Ele destacou a necessidade de que haja mais integração com a Biofábrica de Cacau, onde estão sendo produzidas mudas de qualidade do abacaxi Imperial, resistente à fusariose, principal ameaça à lavoura de abacaxi no Brasil.

A Biofábrica está desenvolvendo um jardim clonal para produzir mudas da variedade "Vitória", criada pela Embrapa, também resistente à fusariose. Essa variedade dispensa o uso de fungicidas para o controle da doença, possibilitando a redução do impacto ambiental e dos custos de produção por hectare.

Manejo e controle de praga

O seminário, que teve a participação do diretor de Defesa Sanitária Vegetal da Adab, Armando Sá Nascimento Filho, de técnicos da EBDA, do presidente da Biofábrica de Cacau, Moacir Smith, representantes da Embrapa, Sebrae, produtores rurais e agricultores familiares, debateu sobre os desafios e perspectivas da cultura do abacaxi, produção de mudas sadias, manejo do abacaxizeiro, controle da fusariose, defesa fitossanitária, indução floral e a agroindustrialização.

O evento contou com a parceria da EBDA, das prefeituras municipais da região, cooperativas, instituições financeiras e associações. Segundo Armando Sá Nascimento Filho, a Adab realiza várias ações, garantindo a sanidade vegetal para aprimorar a produtividade da cultura do abacaxi.

"A agência promove o controle da fusariose em todo plantio de abacaxi no estado e a fiscalização de trânsito, impedindo a entrada dessa praga, auditorias em propriedades produtoras de abacaxi e realização de encontros técnicos com produtores", explicou Nascimento Filho.

Desafio – A fusariose é a doença mais grave do abacaxizeiro, provocando danos no ciclo produtivo da inflorescência até a produção dos frutos, podendo infectar 40% das mudas. Dessas, a metade morre antes de atingir a fase de floração.

Trabalhar para garantir a sanidade e qualidade dos frutos é responsabilidade de todos, conforme disse o secretário Roberto Muniz. "Sanidade, se não for trabalho de todos, pode afetar a todos. Não há espaço para amadorismo. Os mercados são exigentes. Temos que atender a esse grande desafio, fortalecer a instituição e buscar novos mercados."