Em 15 dias, preço do leite registra queda de até 22% no supermercado
O leite - vilão dos recentes índices de inflação - aparece nas prateleiras dos supermercados com preços menos amargos.
Segundo varejistas, a caixinha do longa vida chegou a ficar até 22% mais em conta do que há 15 dias. Apesar da redução, o preço médio do alimento, de R$ 2,20 a R$ 2,40, ainda pesa no orçamento das famílias. A expectativa, contudo, é que os preços voltem a ficar abaixo de R$ 2 a partir de setembro, quando a entressafra do produto chegar ao fim.
No ano, até a terceira semana de julho, o leite já acumula variação de 48,05%, nas contas da Fecomércio-RJ. Uma alta que afastou o consumidor, explicam os analistas. E foi justamente esse freio no consumo, associado a chuvas em áreas de produção, que forçou o preço do leite a cair. Não à toa. No ano passado, por exemplo, no Zona Sul o litro do Parmalat custava R$ 1,85 - 42% a menos do que os atuais R$ 3,19. E no Pão de Açúcar, é possível encontrar a marca hoje por R$ 2,68 - 41,7% a mais do que os R$ 1,89 cobrados há um ano.
- O mercado está nas mãos do consumidor. Com o preço salgado, as vendas ficam fracas.
O varejo precisou baixar o preço. Em plena entressafra, há uma redução - disse José de Souza, presidente da Bolsa de Gêneros Alimentícios do Rio, acrescentando que, no atacado, o leite já ficou quase 15% mais barato nas últimas duas semanas e, no varejo, 20%.
Souza acrescenta que os derivados tendem a recuar de preço - menos intensamente. Ele cita o queijo prato que, há 15 dias, era negociado no atacado entre R$ 9,50 e R$ 9,80. Ontem, custou entre R$ 8 e R$ 8,50: - Já há promoções de queijo no varejo por menos de R$ 9.
De grandes redes a pequenos mercados, o consumidor encontra melhores preços e promoções. No Prezunic, a redução no preço do leite variou de 10% a 15% nos últimos 15 dias. E a expectativa é de novas baixas, de até 10%. E no Flamar, supermercado de bairro, no Flamengo, o consumidor poderá encontrar o litro do Elegê por R$ 1,99 no fim de semana. Desde já há o Damatta em promoção, por R$ 2,29 - que atraiu a consumidora Vera Peruel, moradora de Araçatuba, que veio ao Rio para visitar a filha. Para ela, o preço esta baixo; em São Paulo, diz, só encontra o produto por cerca de R$ 3.
No Princesa, o leite ficou até 20% mais barato. A partir de setembro, os preços podem ficar menores: a entressafra já terá acabado, aumentando a oferta do alimento.
- A partir de setembro, deverá haver leite abaixo de R$ 2.
Esse menor custo poderá fazer com que o consumidor volte ao leite em caixa, pois, nesse período de alta, houve migração para o leite em pó - explicou José Márcio Castro, gerente do Princesa.
Efeitos do leite devem influenciar o IPCA Segundo Eduardo Baczynski, economista da Platina Investimentos, a coleta de preços no varejo realmente aponta para desaceleração na inflação do leites e derivados. O ritmo de aumento nos preços do leite pasteurizado vem arrefecendo bastante nos últimos 15 dias: a variação da média das últimas quatro semanas caiu de 8,47% quinze dias úteis atrás para 2,71% em 24 de julho. Mas, para Baczynski, ainda deve haver um pico nos preços antes do início da safra: - Nossa coleta de preços no atacado mostrou variação razoavelmente forte. Estes saltaram em torno de 5,5% em relação aos que estavam em vigor há 15 dias. Isso pode piorar a dinâmica benigna no varejo.
O preço do leite trará efeitos no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), disse Baczynski. E lembra: o peso de leite e derivados é de 2,12%.
- Deve dar um alívio no mês.
No IPCA-15, já tivemos leve melhora no grupo: a variação caiu de 6,97% em junho para 5,47% em julho.