Embrapa conduz projeto de citricultura na Chapada
Os pesquisadores Orlando Sampaio Passos, Walter dos Santos Soares Filho e Clóvis Oliveira de Almeida, da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, vêm tocando, há cerca de cinco anos, um projeto de cultivo de citros na Chapada Diamantina.
Foi realizada uma parceria entre a instituição, a Prefeitura de Rio de Contas e Banco do Nordeste.
“A Chapada é uma das regiões mais propícias para o cultivo de citros para mesa no Brasil”, afirma Orlando Passos. Na Bahia, as regiões produtoras de maior destaque, hoje, são o litoral norte e o Recôncavo.
Segundo a Embrapa, a ideia é acompanhar o comportamento de variedades cítricas nas condições da região, com avaliações periódicas de laranjas doces, tangerinas e outras espécies em duas propriedades: na Bagisa S.A., em Ibicoara, e no Sítio Recanto dos Pássaros, em Rio de Contas. “As condições climáticas e edáficas são favoráveis, mas é necessário que se façam estudos no sentido de escolher as espécies e variedades adaptáveis a essas condições”, declara o melhorista Walter Soares.
Situada na parte central do Estado, a região já foi chamada de “Alpes baianos” pelas baixas temperaturas das noites de inverno, que podem chegar a 6º C, principalmente nos meses de junho e julho.
POTENCIAL – Segundo a Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa vinculada à Secretaria de Desenvolvimento e Integração Regional (Sedir) do governo do Estado, há nessa microrregião uma área potencial de 18.690 hectares irrigáveis para uso principalmente pela horticultura, com abundância de recursos hídricos.
“Um fato importante é a predominância de pequenas propriedades nesses municípios, o que constitui, ao lado das condições climáticas, justificativa para se desenvolver uma citricultura visando ao mercado interno e, posteriormente, externo de frutas cítricas, em especial do grupo das tangerinas”, afirma Clóvis Almeida, pesquisador da área de socioeconomia da Embrapa.
Um exemplo é a tangerina poncã, cuja qualidade (coloração e peso do fruto) é bastante superior à das produzidas em outras regiões do País. Os frutos produzidos em Rio de Contas apresentam coloração alaranjada, intensa e uniforme.
O produtor Paulo Paschoal dos Santos, 81, foi o pioneiro no cultivo da tangerineira poncã, em Rio de Contas. Cultiva as laranjeiras bahia, baianinha, lima e pera. As mudas foram adquiridas em Minas Gerais. “Se não houvesse ainda tanta incredulidade, a região poderia ser transformada em potência, a ponto de atrair compradores de São Paulo, tal é qualidade da fruta”, frisa.
EXPORTAÇÃO – A exportação de frutas cítricas in natura no Brasil vem se mantendo estagnada, em torno de 83 mil t/ano, ao longo dos últimos 30 anos, o que faz o País ocupar a 16ª posição no ranking mundial de exportadores, com menos de 1% do total exportado mundialmente.
Os países da comunidade europeia são os maiores importadores, chegando a atingir 70% do total importado.