Melão volta para o Vale com técnica orgânica
Estudos da Embrapa Semiárido na área de experimentos em Petrolina (PE), a 560 km de Salvador, pretendem trazer de volta a força da cultura meloeira na região do Vale do São Francisco até 2010. A técnica utilizada tem cerca de três meses e é conhecida como mulching e consiste na cobertura do solo nos plantios de melão com material orgânico (casca de coco, capim e bagaço de cana) e sintético (polietileno preto e dupla-face).
Numa área experimental de 2.000 m², foi plantado o melão em pelo menos 12 filas, onde cada tipo de cobertura é feita de forma duplicada para observação de efeitos diferenciados.
Até agora, os pesquisadores registraram produção de 65 toneladas e 74 toneladas por hectare (em pelo menos três retiradas por safra), superando a produtividade média, que é de 20 toneladas por cada hectare plantado.
A maior colheita foi registrada na área de teste que utilizou o capim buffel como cobertura de solo com menor quantidade de água usada em relação aos demais materiais.
CICLO – Dos orgânicos pesquisados, o capim é o mais poroso, com condição de manter a água no solo. “Para um ciclo de 75 dias, a área coberta com o capim produziu 74 ton/ha com uso de 45 litros de água por cada quilo de fruto, enquanto que, no cultivo convencional, os produtores tiveram produção de 59 ton/ha com utilização maior de água no mesmo período de tempo”, diz o pesquisador Marcos Braga.
Para ele, os resultados com registro de aumento na produtividade se devem à boa qualidade genética das mudas usadas, à irrigação controlada, além do uso da fertirrigação “com base na curva de absorção de nutrientes da cultura do meloeiro”.
Todas as áreas, diz, submetidas aos tipos de cobertura estudados receberam os mesmos tratos culturais, de adubação e quantidade de água. O estudo da Embrapa é desenvolvido em conjunto pelos pesquisadores Marcos Braga, Rita de Cássia Dias, Nivaldo Duarte e Geraldo de Resende, que apostam nos resultados de grande produção com menor utilização de água e boa qualidade de fruto a partir do uso das coberturas como inovação tecnológica de baixo custo.
DE VOLTA– A pesquisa, que também será levada para o campo experimental da Embrapa no projeto Mandacaru, em Juazeiro, pode fazer retornar ao Vale do São Francisco uma cultura que já foi carro-chefe da fruticultura regional nos anos 80 e foi abandonada pela má qualidade do produto, perdendo espaço no mercado interno para estados como Ceará e Rio Grande do Norte.
O Vale era um dos maiores produtores de melão do País e o Mercado do Produtor de Juazeiro chegou a comercializar cerca de R$ 28,5 milhões só de melão. A produção era tanta que a atual Feira Nacional da Agricultura Irrigada (Fenagri) era conhecida como Feira do Melão.
“A importância da cultura na região tem decrescido. Os testes de cobertura de solo procuram suprir a falta de competitividade dos produtores do Vale”, explica o pesquisador Marcos Braga.