Os desafios do semiárido

03/08/2009

Os desafios do semiárido

 


Em caatingas secas e pedregosas, conviver uma vida inteira com as adversidades do clima, ainda mais agravadas com o aquecimento global, é um desafio. E, mesmo assim, as populações resistem e transformam o que antes seria impossível vencer – a falta de água e as condições de estiagem prolongadas – em novas oportunidades. Uma delas seria a fruticultura irrigada no Vale do São Francisco. Todavia, no semiárido baiano, existem regiões com riquezas pouco exploradas.

Segundo o Instituto Nacional do Semiárido, há até bem pouco tempo, havia gravada na mente das pessoas a ideia de esta ser uma região pobre, cenário de miséria e de atraso social. Hoje, olhando com mais atenção, é possível contemplar as belezas e riquezas produzidas no sertão.

O semiárido baiano é formado por 258 municípios, compreendendo uma área de 388,2 mil km², ou seja, 70% da área do Estado, com uma população de mais de seis milhões de habitantes.

Isso significa dizer que esta área corresponde a 68% do território do Estado.

Segmentos como caprinovinocultura, vegetação nativa, apicultura e fruticultura, dentre outros, com vistas a diversificado mercado, poderiam ter um ganho ainda maior se recebessem atenção e apoio redobrados.

ESTUDOS – Em recente entrevista, o cientista brasileiro Miguel Nicolelis, um dos 20 mais importantes especialistas científicos do mundo, disse que o semiárido baiano precisa ser visto não mais como uma região do País fadada ao esquecimento por ser historicamente conhecida pela seca.

Ao contrário. Nicolelis, que também é o criador do Instituto Internacional de Neurociências, situado em Natal (RN), aposta que a região tem todo um potencial pronto para deslanchar a partir da criação de institutos de pesquisa, escolas de educação científica, bem no meio do semiárido brasileiro, ajudando na preservação da caatinga.

Com isso, acredita, um dos “únicos ecossistemas genuinamente brasileiros” poderá capacitar jovens e preparar as gerações para melhor aproveitamento do semiárido.

ENSINO – Três territórios do semiárido baiano ganharão um forte incentivo para a preservação do bioma caatinga e convivência na região semiárida com a criação do Centro de Educação Científica do Semiárido, que tem como objetivo incentivar as atividades de ensino, pesquisa, desenvolvimento e a produção e disseminação do conhecimento científico e tecnológico. Inicialmente, a população dos territórios Sisal, Portal do Sertão e Bacia do Jacuípe serão beneficiadas com o projeto, que segue modelo do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra (IINN-ELS).

Programados para serem instalados em 2010, a Escola de Ciências, que funcionará em Serrinha e servirá para a preparação de jovens e crianças para o “mundo da ciência”, e o Instituto de Biotecnologia e Bioprospecção, em Feira de Santana, darão suporte aos pesquisadores.

O projeto é coordenado pela Associação Alberto Santos Dumont de Apoio à Pesquisa (Assdap) e conta com parcerias com as universidades estaduais da Bahia (Uneb), de Feira de Santana (Uefs) e Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), com o Instituto Internacional do Semiárido (Insa), além de instituições locais, prefeituras e organizações.

VANTAGEM – Para o diretor adjunto do Insa, Alberício Andrade, o semiárido é uma região que se encontra adormecida e os problemas que enfrenta são mais de natureza política do que por conta do clima propriamente dito.

Na Bahia, Andrade, que atua na base de coordenação do Insa, instalada em Pernambuco, diz que, só no município baiano de Capim Grosso, uma das regiões mais ricas em processamento de umbu (geleias, doces), apenas 1% do potencial produtivo da cultura é manufaturado.

“As cooperativas conseguem exportar geleias e outros itens à base do fruto para países como Áustria, Alemanha e Itália. É infinitamente pequeno diante do potencial que a região possui”.