Desmatamento na amazônia afeta o clima do Brasil

05/08/2009

Desmatamento na amazônia afeta o clima do Brasil

 


É o que afirma um estudo patrocinado pela Petrobras, que alerta para a necessidade urgente de preservação de nossa biodiversidade

O vapor d"água gerado na Amazônia e transportado pelas massas de ar tem impacto decisivo sobre o clima nas demais regiões do Brasil e, principalmente, sobre o ciclo de chuvas no Sul e no Sudeste.

Essas são algumas das conclusões do Projeto Rios Voadores, coordenado, há dois anos, pelo engenheiro e ambientalista Gérard Moss, com patrocínio do Programa Petrobras Ambiental e parceria da Agência Nacional de Águas (ANA). O projeto também é uma das várias iniciativas sustentáveis que contribuíram para a Petrobras saltar do 20º para o 4º lugar no ranking das empresas mais respeitadas do mundo, segundo pesquisa divulgada pelo Reputation Institute (RI), empresa privada de assessoria e pesquisa, com sede em Nova York. O ranking relaciona 200 grandes companhias do mundo e é feito anualmente desde 2006.

As informações recolhidas pela equipe de pesquisadores do Rio Voadores estão permitindo mostrar até que ponto o desmatamento da região amazônica poderá afetar o clima brasileiro e como tal degradação pode alterar o ciclo hidrológico, que se refere à distribuição e circulação da água na natureza.

Dessa forma, será possível compreender melhor as causas tanto das grandes tempestades quanto dos extensos períodos de seca. "O objetivo do estudo é entender melhor o trajeto percorrido por esses verdadeiros rios voadores, que viajam sobre nossas cabeças e podem ter volume maior que a vazão de todos os rios do Centro-Oeste, Sudeste e Sul", explica Gérard, que já fez 12 viagens sobrevoando o país em um avião monomotor.

Nessa expedição, ele recolheu cerca de 500 amostras de vapor d\\"água em diferentes camadas atmosféricas, entre 500 e dois mil metros acima do nível do mar. As amostras são recolhidas em um coletor externo instalado no avião, que capta o ar ambiente e o direciona a um tubo de vidro, que por sua vez é resfriado em gelo seco (-80ºC), para condensar a umidade em uma gota dentro do tubo.

A partir daí, as amostras são analisadas no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena), em Piracicaba (SP). Com base nas propriedades dessa gota d\\"água são definidos origem, dinâmica e deslocamento da água carregada pela massa de ar.

Influência do AtlânticoA coordenação científica do Projeto Rios Voadores é de Enéas Salati, agrônomo e ex-professor do campus de Piracicaba da Universidade de São Paulo (USP). Estudos realizados por ele há 30 anos, utilizando técnicas isotópicas, revelaram que 44% do fluxo de vapor d\\"água que penetra na região amazônica, vindo do Oceano Atlântico, condicionam o clima da América do Sul e atingem as regiões Sul, Sudeste e CentroOeste. Essas pesquisas são usadas até hoje como base para o conhecimento hidrológico da região e foram fundamentais para a elaboração do projeto.

De acordo com o estudo, há uma forte recirculação de água entre a superfície e a atmosfera, causada pela transpiração das plantas que compõem a floresta, o que contribui para os altos níveis de precipitação na Amazônia, que chegam a ultrapassar 2.400 mm/ano. Por isso, a destruição da floresta provoca alterações ainda difíceis de quantificar.

"Uma árvore de grande porte coloca cerca de 300 litros de água por dia na atmosfera. Sua retirada não atinge somente a Amazônia, mas todas as outras regiões para onde a água é transportada pelos ventos. Tivemos no Brasil cerca de 600 mil quilômetros de terras desmatadas nos últimos 30 anos. Ainda não sabemos mensurar com precisão qual o impacto sobre o clima", observa Gérard Moss.

Conforme o coordenador da pesquisa, apesar de a Amazônia legal representar, em média,10% da população e do PIB do país, recebe pouco investimento em tecnologia.

"É justamente lá que deveria haver muito mais investimento.O clima de São Paulo não tem impacto sobre a Amazônia,mas a região amazônica faz toda a diferença no restante do Brasil e até mesmo em outros países", completa o pesquisador. O Projeto Rios Voadores também tem o objetivo de aproximar a população dos grandes centros urbanos das questões relacionadas ao meio ambiente que a afetam diretamente, além de alertá-la sobre a importância do uso racional da água. Entre as cidades visitadas por Gérard durante a expedição estão Belém, Santarém, Manaus, Alta Floresta, Porto Velho, Cuiabá, Uberlândia, Londrina e Ribeirão Preto.

Avaliação Para divulgação de sua pesquisa anual, o Reputation Institute criou um modelo de avaliação (Modelo RepTrak) que mede o nível de estima, confiança, respeito e admiração, por meio de pesquisas feitas com consumidores do país de origem das empresas.

Desde 2006, a companhia apresentou um crescimento de 8,4 pontos. Na pesquisa deste ano, a avaliação do público destacou o desempenho da Petrobras nas categorias ambiente de trabalho, governança, cidadania e desempenho financeiro. Os resultados foram os melhores de uma empresa brasileira desde 2007.A Petrobras integra o seleto grupo de 17 empresas mundiais com reputação excelente, classificação mais alta da pesquisa. Conquistou, ainda, a melhor posição entre as empresas de energia. O Reputation Institute avalia sete dimensões que integram o modelo da instituição, com base em pesquisas qualitativas e quantitativas.

Exemplo sustentável

O "Balanço Social e Ambiental da Petrobras" foi considerado, pelo terceiro ano consecutivo, como "notável e um exemplo a ser seguido", conforme critérios estabelecidos pelo Pacto Global da ONU. A publicação foi qualificada como Notable Communication on Progress, porque "representa uma declaração de apoio contínuo da Petrobras aos princípios do Pacto Global; "descreve de forma clara as ações utilizadas para implementação desses princípios"; "acompanha os resultados dessas ações"; "demonstra confiabilidade, clareza e atualidade nas informações apresentadas"; e "inclui o diálogo com os diferentes públicos de relacionamento".O Pacto Global da ONU é uma iniciativa internacional que objetiva estimular a cooperação interssetorial para a realização de ações relativas aos 10 princípios sobre direitos humanos, questões trabalhistas, proteção ao meio ambiente e combate à corrupção. Trata-se de uma das maiores redes de debate internacional sobre responsabilidade social corporativa, englobando mais de 3.800 participantes de 100 países.

Desde 2003, a Petrobras participa da iniciativa e se compromete a basear sua atuação social e ambiental de acordo com os princípios do Pacto Global da ONU. José Sérgio Gabrielli (foto), presidente da empresa, passou a integrar o Conselho Internacional do Pacto Global em 2006.