Bahia planeja estreitar relação com a China

06/08/2009

Bahia planeja estreitar relação com a China

 

 

Como diminuir a imensa distância que afasta a Bahia da China, destino de 17% das exportações baianas e principal parceiro comercial no mundo? O Estado tem como característica econômica a produção das commodities – produtos homogêneos, que servem como matéria-prima para bens finais. A celulose, a soja, o algodão, o minério e os insumos petroquímicos produzidos pelos baianos encontram ótima aceitação na maior nação do planeta, que precisa alimentar 1,35 bilhão de pessoas e de matéria-prima para a indústria do maior país em crescimento do mundo. A soma entre as exportações e importações baianas para a China passou de US$ 28,6 milhões em 1998 para US$ 1,1 bilhão no ano passado.

No primeiro semestre deste ano, apesar da crise, já foram movimentados US$ 617 milhões.

A maior parte deste montante foram exportações baianas para o Oriente: US$ 479 milhões, contra apenas US$ 137,4 em importações.

Da China, chegam bens finais, com maior valor, como eletroeletrônicos e produtos para informática.

“A China é o grande comprador de commodities do mundo, enquanto nós somos os grandes vendedores. Depois eles vendem os produtos finalizados para o Brasil e para o resto do mundo”, explica o gerente de estudos e informações do Centro Internacional de Negócios da Bahia (Promo), Arthur Souza Cruz.

As exigências do mercado de commodities quanto às quantidades de produtos e homogeneização dos produtos termina por praticamente fechar o acesso do pequeno empresário a este setor.

“Quem domina o mercado na Bahia são as grandes”, afirma Souza Cruz, sem descartar a possibilidade de que interessados no mercado chinês encontrem nichos específicos.

O governo baiano tem demonstrado interesse em se aproximar do país asiático. No último ano, o governador Jaques Wagner esteve em missão no país. No último dia 1º de julho, a Missão Chinesa da República Autônoma de Guangxi Zhuang esteve na Bahia para sondar investimentos e, informa o Promo, deve haver nova visita de chineses ao Estado.

Para especialistas, a relação só não é melhor por conta de gargalos na operação logística, que dificultam levar os produtos baianos para o outro lado do planeta a custos competitivos. “Temos deficiências portuárias para navios de grande porte”, pondera Souza Cruz. Aos problemas logísticos, o professor de comércio exterior da Universidade Salvador (Unifacs), Raimundo Torres, acrescenta a questão cultural.

“Nem todos os produtos utilizados em um país são interessantes para outro mercado e quanto mais distante é a cultura, mais difícil se torna a adaptação”, pondera o professor. Isso sem falar em queixas de que o Brasil dificulta a entrada de importações.

“Eles estão começando a cobrar uma maior abertura de mercado, já que o comércio internacional tem duas mãos”, lembra Torres.