Seagri quer novos caminhos para o mercado da carne
Foto: Ana Paula Loiola
No sentido de permitir uma maior articulação nos processos de exportação, a Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri) quer incorporar à sua estrutura uma diretoria de relações internacionais do agronegócio. A proposta, ainda em discussão, foi apresentada nesta manhã pelo secretário Roberto Muniz a pecuaristas que participaram do 4º Congresso internacional do Boi de Capim, na capital baiana. Também deverá ser viabilizado pelo órgão, a criação da Câmara Setorial da Carne Bovina, a extinção da Zona Tampão, através de ações estruturantes dos serviços de atenção veterinária, além da informatização de toda a rede de serviços da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab).
“Precisamos abrir novos caminhos para exportação da carne, garantindo sanidade, qualidade e controle das condições higiênico-sanitárias, sem deixar de suprir as necessidades do mercado interno”, declarou o secretário da Agricultura, Roberto Muniz. Somatizando-se às ações, a Seagri tem atuado nos processos descentralização e regionalização de frigoríficos e no apoio às feiras e exposições agropecuárias, reconhecidas nacional e internacionalmente.
O Brasil é hoje o maior exportador de carne do mundo e o segundo em produção, com 197 bilhões de animais, sendo o único país com potencial de aumentar a taxa de desfrute (relação rebanho existente x produção). Com um rebanho bovino estimado em 11,2 milhões de cabeças, a Bahia é o primeiro no ranking produtivo do Nordeste e participa com 5,7% da produção nacional, no entanto o estado ainda não exporta. Os principais pólos produtores são o Extremo Sul, o Oeste (2,2 milhões de cabeças) e a região Sudoeste.
Segundo Muniz, os principais gargalos estão associados à forma extensiva de criação, à baixa produtividade e à melhoria genética deficitária, mas que já está sendo qualificada. Outros fatores limitantes deverão ser equacionados e se referem à uniformidade no tempo de abate, à diferenciação do setor produtivo na organização e produtividade e a equalização da problemática do abate.
“Já podemos constatar uma significativa redução no tempo de abate, em seis anos, e atingimos o índice vacinal de 96,5% contra a Aftosa, caminhando para a extinção das zonas tampões (até 2010)”, comemorou o secretário. Outra evolução está no abate inspecionado, com ampliação de 250 mil para 702 mil, em relação ao período de 2003 a 2008. “De 2007 a 2009, passamos de 18, para 26 frigoríficos implantados no estado”, completou.
Espera-se que o investimento amplie a cadeia produtiva, com incentivo à pecuária local, garanta o aumento da comercialização de carnes e derivados no estado e o abastecimento com qualidade higiênico-sanitária.
A apresentação foi um dos momentos mais esperados e fez parte da programação de encerramento do Congresso Internacional do Boi de Capim, reunindo um público superior a 500 pessoas. Também participou do painel o consultor e representante da fazenda Paredão, Nelson Piñeda, que fez uma análise sobre as perspectivas para o comércio da carne bovina
A avaliação foi otimista sobre as commodities boi – carne que, segundo ele, foram as que tiveram o menor impacto econômico com a crise. “O mundo vai comer mais produtos de origem animal, carne e leite e o Brasil tem carne com baixo custo de produção. Análises de bancos internacionais têm demonstrado que o sistema de cria (desde que mecanizado) tem incentivado mais do que a engorda”, declarou. “Precisamos reconstruir a imagem da carne brasileira na Europa, valorizando o pecuarista que preserva o meio ambiente”, defendeu Piñeda.
O especialista defendeu que o compromisso tem que ser coletivo visando o diagnóstico dos pontos críticos, as recomendações de políticas públicas, a indicação de áreas de investimento e pesquisa e a construção de um modelo consistente. “À cada três quilos de carne bovina, um é brasileiro, no entanto, os menores preços são pagos aos produtores”, informou.
No final do congresso foi construído um documento de encaminhamento intitulado Carta de Salvador, no qual continham pleitos do setor, dentre eles a aproximação dos criadores aos técnicos de pesquisa, bem como dos modelos produtivos e a proposição de linhas diferenciadas de crédito. O mesmo será direcionado à gestores públicos de competência e parlamentares.
Fonte:
Ascom/Seagri
Ana Paula Loiola
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