Perda na safra de grãos é estimada em R$ 516 mi

10/08/2009

Perda na safra de grãos é estimada em R$ 516 mi

 

 

A agricultura no oeste da Bahia é sustentada basicamente por três pilares: a soja, o algodão e o milho.

Estas culturas, que registraram um crescimento exponencial nos últimos anos na Bahia, nesta safra foram diretamente atingidas por um trio não tão bem-vindo: a chuva, a praga e a crise. Fatores que desencadearam numa perda significativa na principal fronteira agrícola do Estado. E em níveis diferentes puxaram para baixo os índices de outro trio: produção, produtividade e preço.

As entidades que representam os produtores da região estimam perdas de R$ 516,78 milhões, afetando o fluxo de caixa em mais de 15%. Principal motor da economia do oeste, a soja foi a mais atingida: registrou uma queda de 20% em produtividade e de 16% no volume de produção.

Com 982 mil hectares de área plantada, a safra 2008/2009 da soja resultou na colheita de 2,5 milhões de toneladas de grãos.

Na safra anterior, com uma área plantada menor, foram produzidas cerca de 400 mil toneladas a mais. Chuvas em excesso e incidência de pragas como o mofobranco e a ferrugem-asiática foram os principais responsáveis pelas perdas.

O algodão, cultura que mais tem se expandido na região, também passa por dificuldades.

Com 36% da colheita já realizada, as perdas registradas em volume são da ordem de 21%. E com uma agravante: a qualidade do produto foi afetada pela incidência de chuvas durante o período de colheita. A expectativa é de uma produção de 1,1 milhão de toneladas, ante o 1,4 milhão colhido ano passado.

Já os produtores de milho vivem em melhor situação: as perdas foram de apenas 1,1% em produção e 2,7% em produtividade.

Mas o grão também tem o seu calcanhar-de-aquiles: por conta da crise na economia, o preço da saca, antes cotado em média a R$ 23, caiu cerca de 25% e está num patamar de R$ 17.

Os dados seguem uma tendência nacional de perdas no setor agrícola. De acordo com o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, produzido pelo IBGE, a produção de grãos no País deve ter uma retração de 8,7% este ano, em relação a 2008.

A produção anual é estimada em 133,3 milhões de toneladas. Deste total, 4,3% será produzido na Bahia, o que faz do Estado o nono maior produtor do País.

Com a colheita já encerrada, os produtores de soja e milho contabilizam as perdas e põem todas as fichas na safra 2009/2010. Os cotonicultores ainda devem encerrar a colheita dentro de 60 dias, mas já se preparam para enfrentar o período de turbulência. De acordo com o vice-presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Luís Eduardo Magalhães, Marcelino Kuhnen, os produtores estão esperançosos de uma safra melhor: “Temos agricultores que estão com dívidas acumuladas. E o próximo ano será fundamental para honrar compromissos”.

Os produtores de soja têm um alento para que estes ganhos se concretizem: mesmo com a recessão, o preço da saca se manteve estável, em torno de R$ 43, reduzindo perdas financeiras. As exportações também se mantiveram em bom patamar. Conforme dados da balança comercial, o grão registrou um crescimento de 93% nas exportações no primeiro quadrimestre, em relação ao mesmo período do ano passado.

A Europa e a China são os principais destinos. Apesar deste aumento expressivo da exportação, o presidente da Associação Agricultores e Irrigantes da Bahia, Walter Horita, é cauteloso. E explica que ele se deu graças aos contratos assinados no período anterior à eclosão da crise. “Este não é um crescimento real. Muito do que deveria ter sido exportado no último trimestre do ano passado foi empurrado para este ano, daí esta concentração nas vendas para o exterior”, explica.

Já entre os cotonicultores a previsão é de nova redução da área plantada na próxima safra.

O preço do algodão, que caiu de 65 para 50 centavos por libra peso, é apontado como principal fator para a perda da competitividade.

“Os preços atuais não cobrem os custos”, avalia o presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão, João Carlos Jacobsen.