Tudo por um alimento saudável

17/08/2009

Tudo por um alimento saudável

 

 

A técnica de silagem também tem sido aproveitada com sucesso na região de Jaguaquara, a 321 km de Salvador, na Fazenda Pace, propriedade do agropecuarista Remo Nuno Pace. Segundo ele, a adesão à silagem de milho foi por necessidades estratégicas.

“Se elaborada dentro de padrões corretos, o produto obtido no sistema será um alimento ideal para nosso imprevisível clima, pois pode ficar armazenado por muitos meses, mantendo sua qualidade, sendo uma excelente fonte, especialmente para os rebanhos leiteiros”, frisa.

Criador da raça pardo-suíço, Pace conta que a opção pela silagem de milho deve-se ao seu conteúdo de carboidratos solúveis e de matéria seca ou uma mistura, com essa gramínea como componente básico. Uma boa silagem, defende, é um ato de inteligência na agropecuária.

“Tenho obtido resultados diferenciados alimentando o rebanho com silagem, minimizando e até dispensando farelos e rações complementares. Alguns dos meus melhores animais são criados em sistema de semiconfinamento, alimentandos, basicamente, com silagem e feno”.

RECOMENDAÇÕES – O produtor recomenda uma mistura com 70% de milho, 20% de girassol, 10% de cana-de-açúcar e, se necessário, complementar com sorgo, milheto, capim-napiê ou outra gramínea. “Também recomendo o uso de ureia, sulfato de amônia, micronutrientes ou sal mineral”, destaca Nuno Pace.

A proporção ideal é a de 10 kg de ureia, 2 kg de sulfato de amônia e 3 kg de micronutrientes ou sal mineral, criteriosamente distribuídos no processo da ensilagem e na proporção de 0,5% ou seja, 5 kg de silagem/tonelada.

“A ureia deve ser do tipo agropecuária, para retardar a fermentação secundária, que ocorre após a abertura do silo de milho.

O sal conserva a silagem”.

O sal contribui ainda para outro fator importante na produção de leite. O produto “salgado” induz o animal a ingerir bastante água, o que é benéfico na nutrição e na produção de leite.

“Se possível, devemos adicionar também micronutrientes vegetais, como o fubá, polpa cítrica, cevada, farelo de soja e outras proteínas que, embora encareçam o produto, dão mais qualidade ao silo”, diz Pace.

ORIENTAÇÃO – Em sua propriedade, onde mantém um campo preparado para plantio e colheita dos produtos a serem ensilados, o produtor recebe orientação técnica de um agrônomo para evitar perdas. Um dos cuidados principais é com o solo, que deve passar por análise e correção, aração, gradagem etc.

A adubação indicada é a orgânica.

Uma boa produção para ensilagem também passa por irrigação adequada, controle das pragas, planejamento e manutenção dos equipamentos. “O próximo passo, que é o plantio, também requer atenção redobrada, principalmente na escolha da semente”, adverte.

“Devemos escolher a semente mais adequada, que tenha alta produtividade de massa verde por hectare”, orienta. “No caso do milho, a variedade deve ser a híbrida para silagem ou espécie, porém com comprovada produtividade na região.

O clima não deve ser desprezado, pois dele depende o plantio e boa colheita, assim como o espaçamento. O recomendado é o de 15 a 20 cm por 60 a 80 cm entre as plantas e ruas.

QUALIDADE – A colheita deve ser feita em, no máximo, seis dias, para aproveitar o máximo do que está no ponto. Pace frisa que é preferível passar um pouco do ponto do que antecipar o processo, pois a concentração maior de espigas e de massa seca dá mais qualidade à silagem.

No caso do capim-elefante, o ponto de corte mais apropriado gira entre 60 e 70 dias de idade, com as plantas medindo entre 150 e 180 cm.

Quando o produto apresentar maior teor de água, diz, como no caso do ponto de pamonha para o milho ou o citado para o capimelefante, pode-se usar a tática do pré-murchamento.

Consiste na espera entre seis e 12 horas entre o corte e a ensilagem do produto, ou ainda usar produtos “enxugadores” como fubá e raspa de mandioca.