Extremo sul quer exportar bois vivos
A pecuária baiana não pretende esperar pela estruturação da cadeia produtiva para entrar no mercado internacional. Produtores do extremo sul do Estado estão em negociação com a Wellard, empresa australiana que trabalha com a exportação de animais vivos do Brasil, os chamados “animais em pé”, para começar a vender para Angola, Líbano e Venezuela. “Se não tivermos problemas com a burocracia, até o final do ano devemos começar a exportar”, prevê o presidente do Sindicato Rural de Itamaraju, Urbano Correia.
De acordo com o sindicato, a produção deve ser escoada pelo porto de Canavieiras. Na próxima semana, a região deve receber um técnico designado pela empresa para fazer o laudo de viabilidade técnica do local para o início da operação. Além disso, pedido de autorização para exportação de animais vivos também foi encaminhado à Superintendência do Ministério da Agricultura na Bahia e encaminhado a Brasília.
Na semana passada, um representante da Wellard esteve no município de Teixeira de Freitas durante a realização do primeiro Fórum Setorial da Bovinocultura de Corte para a exportação de boi em pé, quando demonstrou o interesse em fazer negócio com os produtores baianos e anunciou a vinda do técnico para a região.
Segundo o presidente do sindicato, o porto de Canavieiras reúne todas as características necessárias para atender às exigências internacionais. Os produtores estão em dia com as exigências sanitárias e o porto de Canavieiras tem extensão e profundidade suficientes para receber os navios australianos. “Se tudo der certo, poderemos escoar a produtividade de um raio de 600 quilômetros, atingindo parte da produção de Minas Gerais e Espírito Santo”, estima.
A exportação de boi vivo é vista como uma alternativa de exportação, mas, segundo o diretor de marketing da Associação Baiana dos Criadores (Abac), Almir Mendes, pode prejudicar a cadeia produtiva como um todo no Estado. Isso porque o ciclo entre produção e o consumidor final é quebrado pela exportação do boi ainda vivo. “Exportar o boi em pé se transforma em um mecanismo de regular o mercado em função do preço e da oferta de animais. O extremo sul da Bahia, por exemplo, é uma região que tem se organizado bastante na produção de novilhos de qualidade”, disse.
A exportação de boi vivo começou no Pará, expandindo-se para o Rio Grande do Sul, e agora no extremo sul baiano. O presidente do Sindicato Rural de Itamaraju, Urbano Correia, defende a exportação do boi em pé para regular o mercado de carne bovina no Estado e diz que não há frigoríficos suficientes para atender à produção da região.