Produção de própolis vermelha agrega valor à apicultura

20/08/2009

Produção de própolis vermelha agrega valor à apicultura

 

 


Além do mel, principal produto da apicultura, a produção de própolis vermelha vem ganhando espaço entre os produtores do extremo sul baiano. Isso porque a lucratividade é superior aos demais derivados do mel. Na região, enquanto o quilo do mel é vendido a R$ 3,20, o da própolis pode ser comercializado por R$ 450.

O apicultor Marcos Nascimento, que tem um apiário no município de Prado (BA), produz própolis vermelha há um ano. De lá pra cá vem fornecendo o produto para o mercado interno e externo, inclusive atendendo uma empresa de Alagoas, Estado produtor de própolis vermelha.

"Tudo começou quando um amigo do município de Canavieiras me incentivou a produzir. De início relutei pois só colhia mel, mas fiz uma experiência com algumas colmeias do apiário de Prado, num sítio que fica às margens do Rio Jucuruçu e tive um resultado positivo. Levei a amostra colhida para o congresso brasileiro de apicultura que aconteceu em 2008 em Belo Horizonte, Minas Gerais, e lá participando da rodada de negócios do Sebrae, tive contato com uma representante de uma empresa exportadora de própolis. Acabei fechando o primeiro contrato de fornecimento de própolis vermelha e desde então venho comercializando o produto", conta o apicultor.

Marcos Nascimento afirma que a produção da própolis vermelha é um negócio promissor. Por exemplo, por ano uma colméia produz aproximadamente 3,5 kg da substância. Trabalhando com dezesseis colméias, a produção anual chega a mais de 40 quilos. Mas o apicultor ressalta que a própolis vermelha tem uma área de produção limitada, restringindo-se apenas à faixa de 3 metros, margeando o manguezal.

"A própolis vermelha é produzida a partir da resina (exudato) do rabo-de-bugio (Dalbergia ecastophyllum), planta comum nos mangues da região. É dela que as abelhas retiram a substância avermelhada", disse.

Segundo o apicultor para a região expandir a produção da própolis vermelha é necessário pasto apícola. "Como a própolis vermelha é produzida a partir da resina do rabo-de-bugio, é necessário que o homem plante a vegetação às margens dos manguezais. Os municípios de Prado, Alcobaça, Caravelas, Mucuri e Nova Viçosa são propícios a esse tipo de produção. Principalmente Prado, porque a flora do mangue está protegida, então tem potencial para produzir a própolis. Já os demais lugares estão devastados, mas podem ser recuperados com o plantio do rabo-de-bugio", concluiu Marcos Nascimento.

A própolis vermelha produzida nas colmeias é uma mistura de substâncias resinosas coletados pelas abelhas de diferentes partes das plantas, utilizada para selar buracos e proteger a colmeia contra fungos e bactérias.

De acordo com Paulo Andrade, gestor do Sebrae do projeto de apicultura no extremo sul, o Sebrae vai se posicionar criando a identidade geográfica para classificar o tipo da própolis que é encontrada no extremo sul do Estado.

"Faremos inicialmente uma parceria com o Senai [Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial] para prepararmos uma pesquisa e assim dar início a consultoria voltada para a identidade da própolis vermelha que é encontrada nesta região. Isso significa que o projeto de apicultura no extremo sul está em busca da diversificação da atividade. A própolis vermelha é um dos produtos de valor agregado na apicultura", concluiu Paulo Andrade.

Produzida pelas abelhas a partir de material extraído de plantas e flores, a própolis é uma resina constituída de cera e mais de 400 componentes químicos. São, entre outros, álcoois, vitaminas, minerais e principalmente flavonoides e flavonas, que inibem o crescimento de micro organismos. Com tantos elementos, a própolis pode ser considerada um verdadeiro coquetel de benefícios. Entre outras propriedades, tem ações anti-inflamatória, antifúngica, antibacteriana, cicatrizante e anestésica.

PESQUISA NO BRASIL

Sete amostras de própolis vermelha foram coletadas em áreas litorâneas dos Estados brasileiros da Bahia, Alagoas e Paraíba e analisadas pelo método palinológico. A pesquisa faz parte da análise palinológica de própolis vermelha do Brasil feita pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Instituto de Botânica, Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo e Instituto Oswaldo Cruz, Fundação Oswaldo Cruz do Rio de Janeiro.

A analise comprovou que três amostras de própolis vermelha analisadas palinologicamente foram procedentes da Bahia, três de Alagoas e uma da Paraíba. Na Bahia, a própolis vermelha foi encontrada na área de manguezal dos municípios de Camamu, Prado e Mucuri (extremo sul baiano). A análise apontou que a própolis de Mucuri tem um tom avermelhada, já a de Prado cor totalmente vermelha.

A própolis é um composto amarelo-escuro ou amarronzado de uma mistura de exudatos resinosos recolhidos de várias estruturas vegetais, cera de abelhas, óleos essenciais extraídos de flores e detritos de madeira. Em certas regiões do Brasil ela é verde.

Recentemente no Brasil foi encontrada uma própolis vermelha produzida em colmeias localizadas em áreas de manguezal do litoral e de margens de rios no nordeste. Em estudos com intuito de classificar a própolis produzida no Brasil conforme suas composições físico-químicas reconheceram 13 tipos diferentes. As pesquisas revelaram elevado valor dos componentes fenólicos na própolis brasileira.


Fonte:
Agência Sebrae de Notícias da Bahia
Cátia Gomes - Jornalista