Governo busca solucionar passivo ambiental na região oeste da Bahia
O fazendeiro Marcos Antônio Janssen, 38 anos, foi o primeiro a se cadastrar no Plano Oeste Sustentável, executado pelas secretarias do Meio Ambiente (Sema) e da Agricultura (Seagri), com o apoio da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), como forma de reverter a situação de muitas propriedades rurais que apresentam algum tipo de pendência ambiental.
Muitas destas propriedades, localizadas na região Oeste, que abriga o principal polo agrícola do estado, foram implantadas sem a preocupação com a preservação dos recursos naturais, fato que ocasionou um grande passivo ambiental, caracterizado por danos e degradação das áreas.
Descendente de holandeses, Janssem chegou ao município de Barreiras na companhia do pai, há 32 anos. Hoje, é proprietário da Fazenda Daventria, com 542 hectares. Ele contou que, assim que soube da iniciativa, procurou se inscrever.
"Lembro que logo no início meus colegas tinham muito medo de se cadastrar. Mas eu fui e vi como era. Percebi que se tratava de algo sério e avisei a eles que deveriam fazer o cadastro também", contou o fazendeiro.
O plano faz parte do programa Velho Chico Vivo e é uma das iniciativas mais importantes do país em termos de regulamentação ambiental. Janssen ressaltou que o trabalho deve ser levado adiante. "Não basta apenas se cadastrar. O programa tem que ver as falhas, fazer a correção de quem precisa, para então partir para o licenciamento", declarou o fazendeiro.
Ele revelou estar em dia com a sua propriedade, que possui reserva legal. "Todo desmatamento efetuado na área tem autorização do Ibama", afirmou.
Gestão – Segundo o secretário do Meio Ambiente, Juliano Matos, um dos objetivos estratégicos do plano é a consolidação da gestão ambiental na região Oeste, com a promoção da adequação ambiental das propriedades rurais, fomento dos usos alternativos do solo, monitoração do desmatamento e o incremento à conservação da biodiversidade.
Implantado numa região estratégica do ponto de vista do agronegócio e da conservação ambiental, o plano servirá de modelo para outras regiões do estado. "A agricultura e o meio ambiente podem e devem conviver em harmonia, e isso os produtores da região já entenderam e se esforçam para atender às exigências ambientais", disse o secretário da Agricultura, Roberto Muniz.
Ele destacou que "se o passivo ambiental de mais de duas décadas não fosse enfrentado, poderia comprometer o futuro da produção na região."
A importância da iniciativa também é destacada pelo vice-presidente da Aiba, Sérgio Pitt. Segundo ele, sem resolver a questão do passivo ambiental, a região caminha para uma crise agrícola a curto e médio prazos.
"Embora a maioria dos produtores rurais tenha cumprido o que determina a legislação ambiental, algumas propriedades apresentam irregularidades por não possuírem autorização prévia para supressão vegetal exigida por lei", disse.