Bahia: Produção de gás é inferior ao potencial

28/08/2009

Bahia: Produção de gás é inferior ao potencial

 

 

A Bahia produziu 8,7 milhões de m³ de gás natural, em média, por dia, em julho, valor 25% inferior ao seu potencial total devido à crise econômica, que diminuiu a demanda do mercado pelo combustível.

Foi o terceiro Estado que mais produziu gás natural no mês, perdendo somente para o Rio de Janeiro (27 milhões/dia) e o Amazonas (9,7 milhões/dia).

A principal fonte, o campo marítimo de Manati, localizado na Bacia de Camamu, tem potencial para produzir 8 milhões de m³ por dia. Os municípios contidos nesta área são Cairu, Valença, Jaguaripe, Maragojipe, Salinas da Margarida e São Francisco do Conde. Outros campos por terra registram um potencial de 3,5 milhões de m³ por dia. Há outros municípios como Sátiro Dias, Alagoinhas e Esplanada, e Pojuca concentra praticamente 50% da produção em terra. O potencial total de produção de gás na Bahia é, assim, de 11,5 milhões de m³/dia. Desse valor, 1,8 milhão de m³ são efetivamente consumidos internamente pela Petrobras; sobrariam 9,7 milhões de m³ para o mercado. Depois deManati, a Bahia também passou a exportar: 3,2 milhões de m³ vão para o Nordeste.

“Houve uma retração do mercado por causa da crise”, afirma Antônio Rivas, gerente-geral de exploração e produção da Petrobras na Bahia. A distribuidora no Estado, a Bahiagás, também sentiu o impacto. Nos três primeiros meses deste ano, chegou a perder 40% da comercialização. As indústrias reduziram a demanda e os automóveis optavam pelo álcool, que estava mais barato.

Em leilões da Petrobras, que venderam o gás natural a preços mais baixos, a Bahiagás pôde repassar esses descontos aos consumidores e recuperar os resultados.

“Voltamos agora aos níveis de vendas pré-crise, com 3,4 milhões de m³ cúbicos por dia”, afirma o diretor-presidente da Bahiagás, Davidson Magalhães.

Essa distribuição passa por 18 municípios baianos.

HISTÓRICO – A produção de gás natural na Bahia pela Petrobras começou em 1954, nos poços de onde se extraíam petróleo e gás.

A oferta foi crescendo, passando da média de um milhão de m³ por dia em 1959 para 6,1 milhões de m³ em 2004. Nesse momento, os campos começaram a se esgotar e a produção caiu, chegando a 5,1 milhões em 2006. Somente em 2007, com o início da produção do Campo de Manati, retomouse o crescimento. O ano de 2008 atingiu o ápice de 9,2 milhões, mas este ano deverá registrar números menores por causa da crise.

O consumidor baiano de gás natural tem à sua disposição uma oferta grande do combustível e a perspectiva é de crescimento.

“Além da produção existente, temos 20 blocos no Estado sob contrato de exploração. Estamos perfurando poços e existe possibilidade de novos achados na área”, explica Rivas.

A conclusão do Gasene (Gasoduto Sudeste-Nordeste), prevista para março de 2010, também reforça o bom momento do gás natural. “A previsão é que a participação desse combustível na matriz energética brasileira chegue aos níveis de 15%. Hoje esse número está em torno dos 9%”, aposta Magalhães. O empreendimento vai passar por 46 municípios baianos, facilitando a popularização do seu uso no interior do Estado.

A Bahia é o Estado do Nordeste que mais produz gás natural. Em julho, com 8,7 milhões de m³ diários, ficou na frente de Sergipe, com 4,5 milhões de m³ diários, e Rio Grande do Norte, com 1,8 milhão de m³.

A produção no Estado é suficiente para exportar ao restante do Nordeste, principalmente para as indústrias, maiores consumidoras desse tipo de combustível. Sai da Bahia uma média de 3,2 milhões de m³ diários.