Bahia lidera produção nacional de piaçava
O mercado de fibras naturais está emalta nomundo. NaEuropa e EUA, cresce o desejo dos consumidores de substituir as fibrassintéticas, quelevam centenas de anos para se decompor, pelas naturais, que jogadas no solo viram adubo.
Diante do cenário positivo, a Bahia, que responde por quase 90% das 95.100 toneladas de piaçava produzidas no País, em 2008, está tentando organizar sua produção, mas enfrenta entraves para transformara cultura, ainda extrativista, em agronegócio, trabalhando a promoção de seus produtos no exterior.
A produção nacional de fibra de piaçava movimentou, ano passado, entre R$ 119 milhões e R$ 124 milhões, segundo o IBGE. O mercado interno consome 94,4% da produção nacional, e o restante é exportado a preços que variam entre US$ 2,8 mil e US$ 3 mil por tonelada.
Os estados de São Paulo e Rio de Janeiro são os maiores consumidores nacionais e monopolizam a distribuição da fibra semibeneficiada para indústrias localizadas em outras regiões do País. No mercado mundial em 2007, as exportações bateram os US$ 367 milhões, e o Brasil ficou com menos de 1% dos negócios.
A piaçava tem um valor social muito grande para a Bahia, empregando um milhão de pessoas nas regiões sul, sudoeste e Recôncavo, com destaque para os municípios de Cairu, Ilhéus e Nilo Peçanha.
Na Bahia, a piaçava é cultura adicional às tradicionais, como cacau e café. Há pouco tempo, o Estado iniciou 20 Luiz Tito / Ag. A TARDE A Bahia responde hoje por 90% das 95.100 toneladas de piaçava produzidas no País projetos de plantios organizados, mas precisa resolver alguns gargalos, acomeçar pelo aumento da produtividade, quehoje estána marcade 1,5a 2 kg por planta/ano e precisa render de quatro a seis quilos por planta, segundo Wilson Andrade, presidente do Sindicato das Indústrias de Fibras Vegetais no Estado da Bahia ( Sindifibras).
Ele destaca que, aproveitando o momento favorável às fibras naturais, a Organização das NaçõesUnidas (ONU), através do Fundo para Agricultura e Alimentação (FAO), declarou 2009 o Ano Internacional das Fibras Naturais e, de hoje até sábado, realiza um congresso internacional, no Hotel Pestana, para discutir áreas de produção, processamento industrial, comercialização, utilização deresíduos e novas tecnologias para produção de compósitos (uso conjunto de fibras naturais e sintéticas).
Segundo a Seagri, nos últimos anos o sistema extrativista produziu uma média de 87 mil toneladas/ano de fibras naBahia, numaárea estimada em mais de 200 mil hectares.
Se o cultivo fosse tecnicamente formado (densidade de 816 plantas por hectare, espaçamento de 3,5 x 3,5 m), a área atual de produção seria em torno de 20 mil hectares.
O agrônomo Carlos Alex Lima Guimarães é um dos que mantêmuma produçãoorganizada, com 400 mil pés de piaçava condensados em 300 hectares dos 800 que totalizam a área de sua propriedade, em Itacaré, sul da Bahia.