Bahia produz apenas 20% das flores que consome

10/09/2009

Bahia produz apenas 20% das flores que consome

 

Foto: Ag. A Tarde 


É mais fácil comprar flores em Salvador da cidade paulista de Holambra, que da baiana Maracás, a 365 km da capital.

Dez anos depois de plantar as primeiras mudas, o município baiano tem o principal polo de floricultura da Bahia – onde nascem 30% das rosas plantadasna Bahia– e dificuldade para comercializar seus produtos. O principal empecilho para o desenvolvimento de suavocação. A cada100 botões comercializados na Bahia, 80 vêm do Sudeste.

No ano passado, Maracás faturou R$ 1,2 milhão com a venda das flores, valor bastante superior aos R$ 22 mil apresentados em 2000, quando houve a primeira colheita na cidade. Apesar do grande crescimento que já se verificou, acredita-se que a produção no local ainda tem bastante espaço para crescer.

“A região é propícia para plantar flores subtropicais (típicas de regiões frias), um tipo que a Bahia importa para abastecer o mercado local”, acredita o coordenador de projetos do Sebrae, Cláudio Machado.

A cidade tem a favor uma temperatura que varia entre 18 e 21 graus ea altitudede 985 metros em relaçãoao nível do mar. “As condições são favoráveis para a instalação de projetos que gerem ocupação e renda”, explica Machado.

Ele explica que em um hectare de terra podem-se plantar 70 mil pés de rosa. “Na floricultura, mesmo quem tem uma área pequena pode ser grande”, explica.

É o caso de José Batista de Carvalho, 60 anos, conhecido na região como Lasca-gato e comoo maior produtor de rosas a céu aberto do Estado, com 97 mil pés de rosa. Isso emum terreno de dois hectares.

A história de sucesso do produtor de flores é recente.

Plantou as primeiras mudas de rosas há apenas quatro anos. É verdade que já tinha experiência anterior com plantas ornamentais.

“É uma cultura em que dá para viver se a pessoa gostar de trabalhar”, acredita. Fora isso, só falta mesmo uma solução para a questão da distribuição das flores. “Hoje em dia, é cada um por si, e já passou da hora de ter um centro de distribuição em Salvador”, diz, falando sobre o principal centro consumidor local.

O problema é tão grave que alguns produtores já pensaram emalugar umespaço por conta própria para centralizar a distribuição.Enquanto a solução não chega, o produtor se vira por conta própria. Ele envia o que produz em Maracás para os filhos que vivem em Salvador comercializarem.

“Passo para eles por R$ 5 a unidade e eles revendem por R$ 10, R$ 12 ou R$ 15, a depender da situação do mercado”.

Sazonalidade Além dos problemas logísticos, quem vive das flores ainda tem de lidar com questões da sazonalidade.A maiordificuldade não é produção, que pode acontecer durante todo o ano. “A gente pode colher a rosa no pé toda semana”, explica o produtor Reginaldo Silva Fernandes, 33 anos. O problema é que nem sempre existem pessoas querendo comprar os produtos. “A gente vende bastante nos dias das mães, namorados, fim de ano, mas depois a procura cai bastante”, explica o produtor.

Quando a procura cai, o preço acompanha.

Para o professor da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) Armínio Santos, a produção de rosas deve ser estimulada por ser uma prática agrícola que pode ser ensinada a qualquer pessoa.

“Um bom projeto pode gerar renda para até 20 pessoas”, acredita. Segundo ele, o maior desafio para tornar o negócio rentável está na capacitação dos produtores.

De acordo com a técnica agrícola da Prefeitura de Maracás, Cristiane Novais, a cidade adotoua floriculturacomo uma opção de desenvolvimento.

A atividade abrange atualmente 219 famílias. Segundo ela, existe uma demanda muito grande pela produção da cidade, mas os projetos de expansão da atividade esbarram em problemas logísticos. “Precisamos do centro de distribuição”.

Comercialização De acordo com o gestor do programa Flores da Bahia na Secretaria de Agricultura, Ivson Andrade, o que falta para fechar a cadeia logística das flores no Estado é justamente a criação do centro de distribuição.

“O projeto existe e já está aprovado, só falta a liberação dos recursos”, explica.

De acordo com o projeto, são necessários R$ 3,5 milhõesparaa adaptaçãodeuma áreano bairro de Narandiba, que deverá centralizar a venda.

Apesar do impasse em relação à questão da distribuição, Andrade considera que o Estado tem avançado no desenvolvimento da cultura. “Há seis, sete anos, quando iniciouse o trabalho, a Bahia só produzia 3% dos produtos que eram comercializados aqui”, afirma. Hoje, segundo ele, esta dependência ainda existe, mas o Estado já produz 20% de sua demanda. “Maracás é o local mais importante, mas existem outras regiões em crescimento”, afirma.