Encontro de economia reflete otimismo do governo com o desenvolvimento

18/09/2009

Encontro de economia reflete otimismo do governo com o desenvolvimento


Construir uma nova infraestrutura logística, reduzir o passivo social do Estado e priorizar os territórios mais pobres do semiarido. Esses são os três eixos de ação que o secretário do Planejamento, Walter Pinheiro, destacou como prioritários na política do Governo do Estado, durante a abertura do V Encontro de Economia Baiana, ontem, no Grande Stella Maris Resort, em Salvador. O evento prossegue hoje.

Com a palestra sobre o tema Panorama das Políticas Públicas e o Desenvolvimento Baiano, o secretário traçou um histórico da economia baiana, destacando que o passivo acumulado reflete-se em uma base produtiva pouco diversificada e concentrada espacialmente, cadeias produtivas com baixo valor agregado, reduzida oferta de serviços sociais e uma limitada capacidade empreendedora dos agentes de fomento.

"Ao longo dos anos, não houve projetos que dotassem a Bahia de infraestrutura e logística, e nem de polos de desenvolvimentos regionais que tornassem o nosso Estado rota de integração do país", disse Pinheiro.

Polos industriais – Em função desse diagnóstico, o secretário apresentou ao público um plano ambicioso que inclui, entre outras obras, a construção da Ferrovia de Integração Bahia Oeste/Leste, que deve gerar mais de 10 mil empregos e facilitará o escoamento de grãos, minério de ferro e seus derivados, biocombustíveis, fertilizantes e derivados do petróleo.

Também será implantado o sistema BA-093, que compreende a Região Metropolitana de Salvador, com reflexos, inclusive, para oRecôncavo Sul e o Litoral Norte. Juntas, essas regiões representam 56% do PIB do estado.

A reestruturação rodoviária do sistema atingirá 125,35 quilômetros de extensão e a implantação do sistema consolidará a integração dos principais polos industriais do estado – Candeias, Camaçari e Centro Industrial de Aratu (CIA).

Para articular os diversos modais de transporte e que venha, de fato, proporcionar a integração do litoral com o interior do estado, o secretário afirmou que também despontam iniciativas como a construção do novo Porto Sul, do novo aeroporto de Ilhéus, a ampliação e modernização do complexo portuário da Baía de Todos-os-Santos, a recuperação da Hidrovia do São Francisco, entre outras intervenções.

Articuladas a esses projetos, a malha rodoviária estadual foi restaurada em mais de 1,7 mil quilômetros e mais 1,4 mil estão em andamento, tendo ainda realizado melhorias de trafegabilidade em cerca de 30 mil quilômetros.

Descentralização – Na opinião de Walter Pinheiro, este conjunto de ações permite descentralizar as atividades econômicas do estado e criar as condições necessárias para novos investimentos. "Quase 30% da arrecadação estadual é pautada no setor de petróleo e petroquímica e, neste período de redução da demanda global, em média de 42%, a alternativa foi acelerar os convênios com o governo federal e com as instituições internacionais."

Pinheiro destacou ainda que só este ano os repasses totalizam R$ 592 milhões, sendo R$ 400 milhões oriundos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e R$ 192 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

No tocante ao banco internacional, a operação de crédito destina-se ao Programa de Consolidação do Equilíbrio Fiscal para o Desenvolvimento do Estado da Bahia (Proconfis) e ainda prevê uma segunda parcela de mais R$ 400 milhões a serem repassados em 2010.

Pobres foram os menos afetados pela crise econômica

Segundo o diretor geral da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Seplan, Geraldo Reis, "pela primeira vez, a Bahia passa por uma crise em que os estratos sociais mais baixos foram os menos prejudicados."

Ele disse que a tendência é de que o terceiro e o quarto trimestres aqueçam ainda mais a economia baiana. "Se a Bahia crescer entre 1% e 1,5%, não será surpreendente, pois estará dentro do que é monitorado e avaliado."

O que reforça o otimismo de Reis é a perspectiva de criação, no Brasil, este ano, de um milhão de novos postos de trabalho. No caso da Bahia, nos oito primeiros meses de 2009 (janeiro a agosto), o estado já criou 43.975 postos de trabalho com carteira assinada, uma variação de 3,28%, acima das médias nacional (2,13%) e nordestina (0,79%), demonstrando, portando, o bom momento da economia.

Outra excelente notícia para a economia baiana, segundo o superintendente, é o financiamento recorde por parte da Agência de Fomento do Estado da Bahia (Desenbahia).

No primeiro semestre de 2006 foram R$ 29 milhões. No primeiro semestre de 2007, R$ 37,6 milhões. Em igual período de 2008 chegaram a R$ 68,6 milhões e, neste primeiro semestre de 2009, cresceram para R$ 79,1 milhões.