Bahia organiza cadeia produtiva da carne para iniciar exportação
A Bahia concentra o maior rebanho bovino do Nordeste, 11,5 milhões de cabeças de gado.Mas a representatividade do Estado no mercado nacional ainda é tímida. A produção é voltada ao mercado interno e convive com índice de informalidade próxima dos 30%. Voltadas para a organização da cadeia produtiva, entidades do setor se mobilizaram e identificaram os gargalos e soluções.Agora,governo e agentes trabalham na implantação da Câmara Setorial daCarne BovinadaBahia ena exportação do boi vivo, o chamado boi em pé.
Em reunião no início de setembro, um Grupo de Trabalho foi formado, com representantes da Secretaria da Agricultura,Irrigação eReforma Agrária, (Seagri), Federação da Agricultura do Estado da Bahia (Faeb) e associações de criadores, para montar a estrutura necessária para a formação da Câmara e início das exportações do boi em pé e da carne.
“Há muito tempo desejamos isso, e agora temos uma oportunidade real”, disse Luiz Sande, gerente de programas especiais da Faeb/Senar. Ele explica que a Bahia produz volume de carne suficiente para atender ao mercado interno e para exportar, mas que hoje há uma desorganização muito grande da cadeia.
O abate inspecionado é de 1 milhão de cabeças por ano, aproximadamente 255mil toneladas de carne, admite-se, também, uma importação de 306mil toneladasdoproduto ao ano. “Hoje, a Bahia vende, em especial para o Nordeste, mas também compra carne de outros Estados. Além disso, há a saída de animais vivos, o que torna esta balança bastante complexa”,explica Sande.Ele coordenou estudo realizado pelo sistema Faeb/Senar, que desenvolveu um plano de ações para a cadeia produtiva da carne na Bahia.
O estudo aponta problemas em todos os elos da cadeia.Vão desde acultura amadora e individualista do produtor, à desarticulação da indústria frigorífica. Além das particularidades locais das transações, dos limites no cumprimento da legislação sanitária e das diferenças tecnológicas, econômicas, e sociais entre as diferentes regiões do Estado e, sobretudo, dos diferentes níveis de profissionalização do setor”, relata.
O plano aponta 25 recomendações para a organização da cadeia produtiva na Bahia.Entre elas estão a criação da Câmara Setorial da Carne, capacitação de pequenos produtores, revisão das estruturas e práticas de inspeção e fiscalização sanitária, implantação de sistema centralizado para coleta de informações e implantação e restruturação de unidades de abate.
O estudo foi apresentado a autoridades, aos elos da cadeiae aentidadesfinanciadoras.“ Hoje, lutamospelainstalação da câmara setorial, um dos primeiros passos para colocação das propostas em prática”, afirma Sande. A proposta de começar a exportar os animais vivos foi uma das alternativas encontradas para entrar no mercado internacional enquanto a cadeia não se organiza para exportar produtos industrializados.