Cultivo de ostras em Cachoeira está gerando renda
O projeto de cultivo de ostras em cativeiro, em Cachoeira, já dá os primeiros frutos e garante renda para 18 famílias. Criado pela Seagri, por meio da Bahia Pesca, no Recôncavo baiano, o projeto proporciona, a cada mês, a retirada de 100 dúzias de ostras, produzidas em mesas suspensas sobre as águas dos manguezais da Baía do Iguape. Cada mesa tem entre 30 a 40 suportes e produzem ostras que chegam a 15 centímetros, três vezes maiores que o produto importado dos estados do Sudeste e Sul do País.
Pelo projeto, as famílias apreendem técnicas de produção e controle de qualidade e criação de estruturas associativistas para a comercialização do produto. Todo o trabalho é feito nas comunidades remanescentes de quilombos de Dendê, Caongi, Calembá e Engenho da Ponte. “O cultivo está aumentando e, no futuro, vai abarcar todas as famílias da região”, diz entusiasmado o presidente da Comai, Nilton Antonio Nogueira Silva, de 42 anos. O trabalho da Bahia Pesca consiste em, após a identificação das famílias e da disponibilidade para inserção no trabalho, fornecer material e técnicas de coleta das sementes de ostras. Esse trabalho dura entre oito a 12 meses, quando se inicia o trabalho de retirada e comercialização
Além da Baía do Iguape, entre os municípios de Cachoeira e Maragogipe, a Bahia Pesca desenvolve pesquisas nos projetos de ostreicultura nas localidades de Ponta Grossa, Baiacu e Jiribatuba, Maragogipinho, no município de Aratuípe, e na Ilha Branca, município de Jaguaripe.
Guerreiras do manguezal
Em meio à lama e vegetação típica dos manguezais, as marisqueiras Juscilene Viana Jovelino, 29, Selma Silva Santos, 28, e Iraíldes de Assis, 58 anos, são as responsáveis pela depuração das ostras que são trazidas das mesas instaladas nas águas dos manguezais da Baía do Iguape.
Inseridas, juntamente com outras mulheres, no projeto de cultivo de ostras desenvolvido pela Bahia Pesca, elas admitem que o trabalho é cansativo, por causa do sol e do tempo em que permanecem retirando as ostras incrustadas nas pedras, para depois separá-las e vendê-las na região. “Somos verdadeiras guerreiras do manguezal”, afirma Juscilene.
Conscientes das necessidades de melhorias nas condições de trabalho e da manutenção da produção, elas aguardam a efetivação da cooperativa, para terem uma infraestrutura melhor de comercialização. “Com a capacitação vamos aprendendo também a cuidar do próprio meio ambiente onde as ostras se reproduzem e cuidando de manter a produção, sem riscos de extinção das espécimes, pois é daqui do manguezal que sai o nosso sustento”, diz Selma.