Fruticultores do Vale vencem a crise e iniciam colheita

24/09/2009

Fruticultores do Vale vencem a crise e  iniciam colheita

 

Apesar das adversidades climáticas e da crise financeira internacional, os produtores do Vale do São Francisco estão otimistas com a safra 2009/2010, que deve atingir as marcas de 61 mil toneladas de uva e 78,9 mil toneladas de manga. Essa atividade está gerando mais 72 mil empregos temporários entre setembro e a primeira quinzena de novembro, durante todo os processos de colheita, raleio (retirada da baga da uva, para padronização da fruta), no galpão de embalagens, câmara fria e despacho dos conteiners. A fruticultura irrigada do Vale envolve um total 240 mil pessoas, incluindo a produção de cana de açúcar.

Para marcar simbolicamente esse período tão importante para a economia do estado, será lançada oficialmente a Safra de Frutas do Vale 2009/2010. O ato acontecerá na próxima segunda (28), em Juazeiro, durante visita à Special Fruit, empresa referência que emprega mais de 1,8 mil pessoas, e contará com as presenças do secretário da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária, Roberto Muniz, empresários da região, lideranças do setor e agentes financeiros. A idéia dos organizadores é fazer um documentário sobre a importância desses agentes, mostrando os resultados do investimento e todas as etapas desse processo de colheita e embalagens. 

Essa cenário promissor verificado hoje parecia impossível no final do ano passado, quando a crise na economia internacional afetou drasticamente e deixou os produtores do Vale do São Francisco endividados e sem recursos para custeio e investimentos, gerando desemprego e comprometendo a safra deste ano. Mas a ação do governo do Estado, através da Secretaria da Agricultura da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária, Seagri, junto aos agentes financeiros e ao governo federal virou o jogo e criou as condições para vencer a crise.

Segundo o presidente da Câmara da Fruticultura de Juazeiro, Ivan Pinto da Costa, a realização da safra tornou-se possível graças à intervenção da Secretaria da Agricultura e determinação dos empresários no processo de renegociação dos financiamentos junto ao Banco do Nordeste e o Banco do Brasil, atuando de forma decisiva para solucionar as  dificuldades impostas pela crise financeira mundial. “Em função dessas medidas, foi possível manter e aumentar o desempenho da fruticultura nordestina, possibilitando inclusive a manutenção de inúmeros postos de trabalho, diretos e indiretos”. Ele acrescenta que não foram apenas os fruticultores beneficiados, mas praticamente todas as atividades de negócios da região dependem da fruticultura, avaliou.

O município de Juazeiro destaca-se como um dos principais centros de produção e exportação de frutas frescas do País. Todas as culturas são provenientes de áreas irrigadas sendo as mais importantes a manga (Tommy, Haden, Palmer e Keith), a uva sem semente (Thompsom, Crimson, Festival) e com semente (Itália, Red globe e Benitaka) com duas colheitas anuais, além da goiaba (Paluma, Rica e Pêra), a banana (Pacovan e Prata anã) e o coco (Anão).

A fruticultura está presente em todas as regiões da Bahia com pólos consolidados e estruturados para exportação a exemplo do Submédio São Francisco (Juazeiro), Extremo Sul (Teixeira de Freitas), Livramento de Nossa Senhora e Itaberaba, e pólos em desenvolvimento como Barreiras, Bom Jesus da Lapa e Nordeste da Bahia. Para apoio logístico, o Estado possui três portos marítimos, em Ilhéus, Aratu e Salvador, e o aeroporto internacional em Salvador.

A competitividade e a qualidade alcançadas pelo segmento no Estado resultaram na sua crescente inserção no mercado internacional, atendendo aos mais novos padrões de qualidade, segurança alimentar e rastreabilidade expressos em diferentes processos certificações de conformidade adotados pelos mercados mais exigentes do mundo, a exemplo da União Européia, dos Estados Unidos e do Japão.

Considerando-se a ampliação de produção local de frutas voltadas para exportação, novos investimentos em irrigação e em casas de embalagem (Packing Houses), a sazonalidade da manga - e a introdução na produção local de variedades de uvas sem semente tornam as perspectivas de incremento das exportações da fruticultura baiana bastante promissoras.


Ascom/Seagri 24.09.2009
Ana Paula Loiola
3115-2767/2737