Dívidas dos produtores de cacau podem ser renegociadas
A Desenbahia e o Banco do Brasil oficializaram a transferência das dívidas dos produtores de cacau para o Banco do Nordeste. O ato foi realizado, ontem, durante a II Reunião da Câmara Setorial do Cacau do Estado da Bahia, no Hotel Catussaba, em Salvador, e vai permitir a renegociação dos créditos adquiridos pelos cacauicultores entre 1995 e 2003.
A medida faz parte do PAC do Cacau e beneficia 4 mil produtores do sul do Estado. Com a negociação do débito, eles vão ter 20 anos de prazo e oito anos de carência para fazer o pagamento. Além disso, quem renegociar poderá fazer novos financiamentos, o que deve impulsionar a lavoura cacaueira.
"Na região cacaueira, o nível de endividamento é muito alto e a produção atual não permite o pagamento da dívida nem a tomada de novos financiamentos. Vamos renegociar mais de 4 mil contratos, de um volume que supera R$ 89 milhões, garantindo o desenvolvimento econômico da Bahia", afirmou o presidente da Desenbahia, Luiz Alberto Petitinga.
Para o secretário do Planejamento, Walter Pinheiro, que participou da reunião, a transferência mostra que o PAC do Cacau está consolidado. "Na medida em que esses contratos vão sendo renegociados, nós vamos liberando novas fontes de recursos para atender a retomada do processo de produção do cacau".
O secretário também explicou que a intenção do governo do Estado é criar novos produtos que agreguem valor à cultura do cacau. "Precisamos ampliar a fabricação de chocolate, vinho e outros produtos que necessitam do processamento da amêndoa, fortalecendo a região e criando novas expectativas".
Durante a reunião, o secretário de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária, Roberto Muniz, fez um resumo das ações implemen-tadas pelo governo do Estado para recuperar a lavoura de cacau. Ele ressaltou que o esforço do governador e a união entre entes públicos e produtores permitiram que grande parte dos problemas fosse resolvida. "Agora precisamos continuar trabalhando para resgatar o desenvolvimento da região". O governo estadual instalou o Comitê Gestor do Cacau, coordenado pela Secretaria da Agricultura, que realiza um mutirão para ampliar o processo de adesão e fazer os ajustes necessários para iniciar as contratações para a quitação dos débitos. No ano passado, 1,2 mil cacauicultores baianos aderiram ao programa de renegociação das dívidas oferecido dentro do PAC do Cacau.