Bahia produz especiarias e abastece mercados asiáticos
A Bahia é o único estado do Brasil que produz cravo da índia em escala comercial e para exportação. Nossa produção abastece mercados como Cingapura, Dubai, e até a Índia.
Maso baixo preço tem provocado grande queda na produção e a desistência de muitos produtores, em sua grande maioria, pequenos e micro agricultores. A produção baiana, que já atingiu as 14 mil toneladas, há cerca de dez anos, hoje não passa de quatro mil toneladas ao ano.
“Se não houver uma intervenção governamental, a cultura do cravo da Índia pode até ser extinta da Bahia“, prevê o produtor e exportador, Jorge Nunes, da Agronex Comércio e Exportações. De acordo com ele, como o preço pago pelo quilo do produto no mercado está muito baixo, os produtores não investem no preparo da terra e adubação necessárias para aumento da produtividade. O mercado paga, hoje, R$ 4,5 pelo quilode cravo.Através da intervenção da Conab, o quilo do produto pode ser comercializado por até R$ 5.
A produção baiana é concentrada na região do Baixo Sul, representada pelos municípios de Valença, Ituberá, Taperoá, Camamu e Nilo Peçanha, e mais ao Sudeste o município de Una. De acordo com o Centro de Extensão Rural da Ceplac, a área plantada é estimadaem cerca de oitomil hectares. “O preço é o principal problema enfrentado pelos produtores baianos“, confirma o pesquisador da Cepalc, José Vanderlei Ramos.
Como os agricultores costumam cultivar os craveiros em consórcio com outras culturas como a pimenta do reino, mandioca, pimenta da jamaica efrutas em geral, as outras culturas têm ganhado prioridade em atenção e investimentos de cultivo. “O cravo da índia está perdendo muito espaço para o guaraná, por exemplo, que tem mercado certo entre as empresas de refrigerante“, comentou o pesquisador.
Exportações Segundo dados do Promo Centro de Negócios da Bahia, o cravo da índia representa 95% das especiarias exportadas pelo estado. Ele é vendido especialmente parapólos distribuidores da Ásia, como Cingapura eDubai, epara oMéxico, onde é usado na culinária.
“A maior demanda, porém, é para abastecer a indústria de cigarros aromatizados e essências“, explica o gerente de informações do Promo, Arthur Souza Cruz.
Além do cravo,a Bahia também exporta a pimenta do reino, gengibre e pimentões desidratados.
Em 2008, estes ítens representaram US$ 19,9 milhõesem exportaçõespara o Estado. De janeiro a agosto de 2009, porém, o valor em exportações foi de R$ 11,3,um volume considerado bom se levados em consideração a crise econômica mundial e a produtividade. “A queda nas exportações foi, em média, de 30% com a crise mundial. Se considerarmos os fatores de sazonalidade desta cultura, os números são positivos“, completou Arthur Souza Cruz do Promo.
Isso porque o cravo, principal produto desta balança, é uma cultura bi-anual, como explica a engenheira agrônoma e chefe do escritório da Empresa Baianade Desenvolvimento Agrícola (EBDA) em Camamu, Ana Cristina dos Santos.
“Os craveiros são afetados pela colheita, especialmente se for realizada de forma manual, e no ano seguinte a produção cai“, explica.Hoje quase toda a produção baiana é voltada à exportação.
Além do cravo da índia, a Bahia também exporta pimenta do reino, gengibre e pimentões desidratados para a Ásia e o México.
Colheita química evita agressão aos craveiros
A tentativa de aumentar a produtividade e garantir novas alternativas de renda para os produtores de especiarias do baixo sul baiano levaram a Ceplac Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira a desenvolver uma técnica de colheita sem agredir os craveiros, a colheita química.
Praticada há alguns anos, esta técnica está sendo incorporadapelos produtores. Eles alugamuma máquinadepulverização, o conhecido “craveirinho“, que lança um fitohormônio, conhecido comercialmente como Ethrel.O produto atua na planta provocando o amadurecimento precoce e uniforme dos botões e induzindo a queda.
Dessa forma, os trabalhadores evitam subir em altas escadas para alcançar os altos galhos das árvores. “Mas, quando o preço do cravo cai no mercado, produtores ficam sem ter como alugar o equipamento e alguns deles até desistem da colheita“, conta AnaCristina SouzaSantos, da EDBA em Camamu.
“O que também acontece, é que muitos produtores aplicam o Ethrel e ficam sem recursos para comprar os insumos de adubação depois da colheita”, comenta o exportador Jorge Nunes. De acordo com ele, isso gera um ciclo vicioso.
“O craveiro começa a produzir a cada diamenos até ser substituída por outra planta”, disse.
Consórcio A EBDA de Camamu firmou uma parceria com o Ministério da Agriculturaparaapoiar as culturas consorciadas às especiarias baianas. Além de produtos típicos da cultura de subsistência como a mandioca e a banana, os técnicos incentivam a produção de outras especiarias, como a primenta do reino, gerando outras fontes de renda para estes produtores.
“Estamos experimentando otutor vivoparaa pimentado reino“, comenta Ana Cristina, da EBDA. De acordo com ela, os pesquisadores auxiliam os agricultores a produzirem emregiões de mata atlântica, sem desmatamento. Como a pimenta do reino é uma planta trepadeira, a adoção de tutores vivos, é uma forma de expansão e aumento da produção.
“Investimos, também, na capacitação de agricultores e técnicos”, completou.