Macaúba desperta atenção durante Inovatec 2009 pelo uso como biodiesel

14/10/2009

Macaúba desperta atenção durante Inovatec 2009 pelo uso como biodiesel

 

 

A obtenção de biodiesel a partir da macaúba é uma das tecnologias que despertou maior atenção dentre as que a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) apresentou na 5ª Feira da Inovação Tecnológica - Inovatec 2009, que aconteceu em Belo Horizonte (MG), de 6 a 9 de outubro. Muitos visitantes ficam surpresos ao saber que dos "coquinhos" pode ser obtido biodiesel.

No estado Minas Gerais, a macaúba é utilizada com finalidades alimentares e para produção de óleo e sabão. Entretanto, os pesquisadores estão estudando como aproveitar de forma econômica e sustentável os frutos dessa palmeira para a produção de biodiesel e de ração animal.

A macaúba, cujo nome científico é Acrocomia aculeata, é nativa das Florestas Tropicais. No Brasil aparece de forma espontânea em diversos estados das regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, com maior concentração em Minas Gerais e Goiás.

A Embrapa Agroenergia e a Embrapa Cerrados, com financiamento do Ministério da Agricultura, estão realizando um levantamento da ocorrência de maciços nativos de macaúba nesses dois Estados. Os resultados desse estudo podem levar à definição de regiões para instalação de usinas de biodiesel.

Uma das razões para o grande interesse que essa palmeira desperta é a elevada produção de óleo, que chega a 5.000 litros/hectare. A extração do óleo é simples, feita por moagem e prensagem dos frutos, explica o pesquisador da Embrapa Agroenergia, Leonardo Bhering. O resíduo da extração, a "torta de macaúba" pode ser usada como fertilizante orgânico ou como ração para bovinos, caprinos e ovinos.

Em curto prazo será aproveitada a matéria prima dos boques nativos de macaúba para a produção de biodiesel. Para evitar o rápido esgotamento da fonte energética são estudadas práticas de extrativismo sustentável, com a realização de inventário detalhado na área de abrangência dos maciços, o planejamento da conservação e uso dos recursos genéticos disponíveis, o zoneamento do tipo de atividades permitidas e a definição de normas de uso da área, de acordo com a potencialidade do zoneamento para cada atividade. Também são realizados estudos para obter sistemas de produção, onde a macaúba será cultivada em plantios racionais.

Para isso, enfatiza Bhering, estão sendo feitas pesquisas com melhoramento genético, plantio, adubação, espaçamento entre plantas e obtidas as informações necessárias para o estabelecimento de um sistema de produção. Uma vantagem desse tipo de plantação é que podem ser produzidos alimentos (feijão, milho) durante a implantação da cultura e após quatro anos, quando as palmeiras atingirem a altura de 7 a 10 metros e estiverem em produção normal de frutos, pode-se plantar capim para criar gado. É um sistema integrado com bom rendimento, pois o gado se alimenta do capim e dos frutos que, eventualmente, caem das árvores e o esterco produzido pelos animais fertiliza as palmeiras.

COMBINAÇÃO DE MATÉRIAS PRIMAS

A macaúba não deve ser utilizada como única matéria prima para a alimentação de uma usina de biodiesel, pois o período de colheita dos frutos é de apenas quatro meses. Para que a usina possa funcionar durante todo o ano, será necessário utilizar outras oleaginosas, como soja, girassol, algodão, mamona e também sebo bovino.

Cada uma das combinações de matérias-primas exige estudos e pesquisas específicos. Uma proposta apresentada pela Embrapa é o estabelecimento de Arranjos Produtivos Locais (APLs) que possam atender a necessidade do suprimento contínuo de matérias-primas para a produção de biodiesel e que permitam otimizar o uso das terras e o balanço energético global.

Nesse tipo de APL será vantajosa a formação de associações ou cooperativas de produtores que instalem unidades de esmagamento das matérias-primas. O óleo vegetal extraído será transportado até a usina de biodiesel e as tortas resultantes da extração serão aproveitadas pelos próprios produtores das oleaginosas, tanto para alimentação animal, quanto para utilização como adubo. Com esse esquema, o raio de produção da matéria prima poderá ser ampliado, o que não seria econômico se a matéria prima integral fosse transportada ate à usina de biodiesel e a torta transportada de volta até as regiões produtoras.

Leonardo Bhering diz que a implantação de uma usina de biodiesel requer cuidadoso planejamento, com estudos de localização e de logística do abastecimento, da distribuição do biodiesel e dos sub-produtos. "É muito importante que seja garantida a disponibilidade de matérias primas para que a indústria possa funcionar o ano todo, garantindo a produção plena e custos mais baixos" conclui o pesquisador.


Fonte:
Embrapa Agroenergia
Daniela Garcia Collares - Jornalista
Leonardo Ferreira - Estagiário
Telefone: (61) 3448-1581

Colaboração
José Manuel Cabral