Água para Todos garante sucesso da agricultura familiar no semiárido
Durante debate, ontem, em comemoração à Semana Mundial de Alimentação, o programa estadual Água para Todos foi apontado como a principal garantia de sucesso da agricultura familiar no semiárido baiano.
O evento, promovido pela Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza (Sedes), ocorreu no auditório do Sol Barra Hotel, para discutir segurança alimentar.
A superintendente de Inclusão e Assistência Alimentar da Sedes, Ana Lúcia Torquato, explica que a agricultura familiar no semiárido é beneficiada pelo programa, na medida em que o mesmo permite o acesso à água potável, indispensável às plantações e lavouras.
"Sem contar o saneamento básico viabilizado pelo Água para Todos, que já beneficia cerca de 2 milhões de baianos", disse.
Para Torquato, uma das ações prioritárias e inéditas do programa é, justamente, o investimento no semiárido, por meio da construção de 34 mil cisternas na região.
"Temos ainda o Cisternas na Escola, uma ação que atende 13 municípios da Bahia, onde serão construídas 43 cisternas de consumo, 43 cisternas de produção e 811 cisternas para famílias do entorno dessas escolas", destacou.
Desenvolvimento – Professores, pesquisadores e estudantes discutiram os meios de alcançar a segurança alimentar em época de crise mundial. O presidente do Instituto Brasileiro de Análise Social e Econômica (Ibase), Francisco Menezes, esclarece que, por segurança alimentar, deve-se entender "o direito de todos a ter uma alimentação suficiente, de qualidade e saudável."
Para a garantia de tal direito, Menezes considera de fundamental importância o desenvolvimento da agricultura familiar tanto na Bahia como no Brasil.
"O segmento da agricultura familiar tem papel chave na segurança e soberania alimentar no país. Ele responde por 70% da produção de alimentos. Sem agricultura familiar não há segurança alimentar no Brasil, portanto, fortalecer este setor é estratégico para termos essa condição", comentou.
Representante do Fórum Baiano de Agricultura Familiar, Elisângela Araújo afirma que ainda são necessários muitos avanços no segmento, já que a Bahia "é o maior estado com população no campo do país". Ao mesmo tempo, reconhece que passos importantes foram dados para a consolidação do segmento, no estado.
"Sabemos que em quatro anos não será possível vencer toda uma problemática que existe há anos e anos, mas acho que estamos dando um passo bastante significativo na Bahia. Hoje, temos um governo que dialoga bastante com as organizações e com a sociedade civil para o fortalecimento da agricultura familiar e da reforma agrária", lembrou.
Programas sociais garantem segurança alimentar para a população
Para além da agricultura familiar, Ana Lúcia Torquato afirma que o Governo do Estado tem investido em uma série de programas sociais para garantir a segurança alimentar na Bahia.
Entre eles está o Leite Fome Zero, que atende 162 municípios. "São 100 mil crianças, de 2 a 7 anos, que recebem um litro de leite por dia nas creches e escolas do estado."
Outra iniciativa é o Programa de Aquisição de Alimentos em 20 municípios do Litoral Sul, Chapada Diamantina, região de Brumado e Vale do Jequiriçá.
"Nesta ação, compramos alimentos diretamente de uma média de 90 produtores de cada município para distribuir em redes socio-assistenciais para pessoas com desnutrição, como quilombolas, indígenas, idosos e crianças. Assim, fazemos uma rede, um ciclo de segurança alimentar", salientou a superintendente.