Encontros com comunidades fortalecem ações contra queimadas
Já entrando na sua quarta fase, a operação Chapada sem Fogo está conquistando vitórias importantes na conscientização ambiental das comunidades, que se reúnem diariamente com as equipes da Fiscalização Participativa.
As reuniões são agendadas com lideranças, ONGs, instituições, associações e cooperativas, nos municípios e distritos da Chapada Diamantina, com o objetivo de informar, ao maior número de pessoas, sobre a importância da preservação do meio ambiente.
As equipes da operação fornecem, entre outras orientações, noções sobre reserva legal, mata ciliar, licenciamento, aplicação da legislação ambiental nas atividades de produção de carvão, comercialização de animais silvestres e desmatamento ilegal, destacando os perigos do uso do fogo nas atividades agrícolas ou em qualquer outra atividade, neste período de seca.
"Estamos realizando encontros por toda a Chapada Diamantina e somos sempre muito bem recebidos, até mesmo aplaudidos pelas orientações que damos", relata Fabíola Cotrim, técnica do Instituto do Meio Ambiente (IMA), que lidera as equipes itinerantes de Fiscalização Participativa.
Ela conta ainda que "muitas vezes, a própria população chega a uma solução concreta e real, sobre as questões ambientais, e nos tornamos mediadores das lideranças presentes nos encontros, como foi o caso da reunião com assentados de Bonito, em que os próprios representantes do assentamento de Morrinho decidiram quebrar os fornos utilizados na produção de carvão, em suas propriedades."
Reuniões – Desde que se iniciou a operação, em agosto deste ano, já foram realizadas mais de 200 reuniões, nos distritos e municípios distribuídos por toda a Chapada Diamantina e localidades próximas.
Cada encontro é preparado cuidadosamente, de acordo com a necessidade de cada comunidade, sempre objetivando sustentabilidade ambiental e o equilíbrio das ações provenientes de atividades econômicas, com a preservação dos biomas que determinam as características da fauna e da flora de cada local.
"Estamos aperfeiçoando a Fiscalização Participativa, compartilhando boas práticas e treinando novos técnicos, da capital e das unidades regionais, para integrarem a operação", afirmou a diretora de Fiscalização do IMA, Carla Fabíola. "A Chapada sem Fogo é uma operação que está chegando ao conhecimento de toda a região e o marco inicial de um trabalho constante, que será desenvolvido durante todo o ano e aplicado em todo o estado da Bahia. Continuaremos mantendo o diálogo com as comunidades, levando informações da legislação ambiental e exercendo a fiscalização com transparência e bom senso, integrando, cada vez mais, outras secretarias do governo, para dar continuidade a esse trabalho conjunto", enfatizou Fabíola.
Pescadores de Andaraí vão receber Fiscalização Participativa
Uma colônia de pescadores, localizada no município de Andaraí, recebeu uma equipe da Fiscalização Participativa da operação Chapada sem Fogo, para discutir a incidência de fogo nas margens dos rios da colônia e outras questões ligadas à economia e preservação ambiental da região.
Mais de 200 famílias foram representadas por lideranças dos pescadores, num encontro importante para a operação e manutenção da colônia. "Quando parou o garimpo, a maioria dos garimpeiros daqui virou pescador", afirmou o presidente da Associação de Pescadores, Elias Souza.
"De todos os anos, o que teve mais fogo foi o ano passado. Acabou boa parte da capoeira que ficava na beira do rio, onde os peixes entravam para desovar", explicou Elias, demonstrando grande preocupação com a diminuição dos peixes na região, principalmente da espécie nativa mais popular, o tucunaré, que garante o sustento de muitas famílias.
Diversidade biológica – Os técnicos da operação orientaram sobre a importância de preservar a mata ciliar para a manutenção da vida nos rios, mais especificamente sobre a vegetação que encobre o Pantanal Marimbus, um lugar rico em diversidade biológica.
Os pescadores responderam positivamente às orientações, comprometendo-se em proteger a fonte maior de seu sustento, que é o rio, e de tornarem-se guardiões, agindo no combate ao fogo e denunciando os infratores.
"A maioria dos pescadores daqui é defensor do rio", afirmou o presidente da Colônia dos Pescadores, Dal. "Se equipar e treinar o pescador, ele chega ao local do fogo mais rápido do que qualquer pessoa", acrescentou, prontificando-se em formar uma frente de brigadistas voluntários, composta de jovens pescadores, para proteger os rios da região.
Em resposta a esse pedido, o coronel Miguel Filho, do 11o Grupamento de Bombeiros de Lençóis, afirmou que "todas as ideias voltadas para a proteção do meio ambiente são válidas e o Grupamento de Bombeiros vai abraçar essa iniciativa, fornecendo todo o apoio necessário para o treinamento dos pescadores, como já treinamos outras brigadas da Chapada Diamantina."
O coronel ainda fez um apelo. "A área em que atuamos é muito grande para o nosso efetivo, abrangendo a Chapada Diamantina e todo o oeste da Bahia. Quanto mais parceiros nós tivermos, na prevenção e combate aos incêndios, menos o meio ambiente será afetado."