Commodities Agrícolas
Dólar desvalorizado.
Os contratos futuros do café fecharam o pregão de ontem com o maior preço em 13 meses, na medida em que a desvalorização do dólar aumenta o apetite dos investidores pelas commodities americanas. "A queda do dólar está obviamente alavancando o café. Estamos vendo muito dinheiro entrar nas commodities como forma de proteção cambial", disse Fain Shaffer, presidente da Infinity Trading, de Oregon, em entrevista à agência Bloomberg. Com isso, os contratos negociados na bolsa de Nova York e com vencimento em março do ano que vem encerraram o dia a US$ 1,4690 por libra-peso, com alta de 245 pontos. No mercado doméstico, a saca de 60 quilos de café encerrou a R$ 269,58, segundo o indicador Cepea/Esalq. No mês, a commodity já acumula alta de 6,6%.
Alta em Chicago.
Dólar em queda, olhos espichados para as commodities. Assim como em outros grãos, a soja não fugiu à regra ontem na bolsa de Chicago e encerrou o dia com a maior alta desde junho. Os papéis com entrega em janeiro do próximo ano fecharam o dia cotados a US$ 1,00975 por bushel, com alta de 24,50 centavos de dólar. Segundo analistas ouvidos pela agência Bloomberg, a oleaginosa também subiu devido às chuvas do dia de ontem, que atrasaram a colheita no Meio-Oeste americano, a maior região produtora dos Estados Unidos. O serviço de meteorologia prevê ainda tempestades nas próximas duas semanas. No mercado doméstico, a saca de 60 quilos da soja ficou em R$ 45,06, com variação de 0,63%, segundo o indicador Cepea/Esalq.
Dois fatores.
A conjunção de desvalorização do dólar para o menor patamar em 14 meses em relação a um cesta de seis moedas fortes e alta nos preços do petróleo acabou alavancando ontem os preços futuros do milho negociados na bolsa de Chicago. Os contratos com entrega em março fecharam a US$ 4,1000 por bushel, com alta de 13,25 centavos de dólar. "A lógica é que o petróleo caro vai elevar a demanda por etanol", disse à agência Bloomberg Jerry Gidel, analista de mercado da North American Risk Management Services. Nos Estados Unidos, o biocombustível é feito a partir do milho. "A mentalidade inflacionária dos anos 70 ainda está aqui e eleva os investimentos em commodities". No mercado interno, a saca de 60 quilos do trigo fechou a R$ 20,73, segundo o Esalq/BM&FBovespa.
Movimento altista.
A desvalorização do dólar impulsionou ontem também os contratos futuros do trigo negociados no mercado americano. Na bolsa de Chicago, os contratos com entrega em março do próximo ano encerraram o dia cotados a US$ 5,6025 por bushel, com alta diária de 24,75 centavos. Já na bolsa de Kansas, que comercializa o trigo americano de melhor qualidade, os papéis com mesmo vencimento fecharam com 20 centavos de alta, para US$ 5,61 por bushel. "Os mercados estão altistas", disse Tom Leffler, do Leffler Commodities, de Kansas, em entrevista à agência Bloomberg. No mercado paranaense, a saca de 60 quilos do trigo fecharam a R$ 25,32, sem variação, segundo informou a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab).