Oeste Sustentável vai corrigir passivo ambiental de 30 anos

26/10/2009

Oeste Sustentável vai corrigir passivo ambiental de 30 anos


Principal polo agrícola do estado, o Oeste da Bahia passa agora a ser também exemplo de equilíbrio entre desenvolvimento e preservação do meio ambiente. Por meio de uma parceria entre o governo estadual e a Associação de Agricultores Irrigados da Bahia (Aiba), será realizado na região o Plano Oeste Sustentável, que vai promover a regularização ambiental de cerca de duas mil propriedades rurais.

O programa, lançado ontem na cidade de Barreiras, vai atingir 10 municípios e corrigir um passivo ambiental de 30 anos.

"Quando os primeiros agricultores chegaram aqui, não havia essa preocupação com o meio ambiente. Hoje, o agricultor entende que, além de uma exigência legal, a sustentabilidade é uma questão de sobrevivência", afirmou o presidente da Aiba, Valter Horita.

Já foram feitos o mapeamento de sete municípios e o cadastramento das propriedades de outros três. Quando essa primeira fase for concluída, os técnicos das secretarias estaduais do Meio Ambiente e da Agricultura vão identificar as áreas onde será necessário realizar ações de recuperação.

Financiamentos - Segundo o secretário da Agricultura, Roberto Muniz, a maioria das propriedades cumpre a legislação, mas não regulariza a situação junto aos órgãos do meio ambiente. "Com o Plano Oeste Sustentável, essas propriedades serão regularizadas depois de 30 anos. Isso vai facilitar a aprovação de financiamentos", afirmou.

Entre os principais problemas ambientais da região estão o desmatamento da margem de rios, que provoca erosão e assoreamento, a contaminação das águas pelos defensivos agrícolas e as queimadas.

Para o secretário do Meio Ambiente, Juliano Matos, além de garantir a sustentabilidade e a preservação do meio ambiente, o programa vai ser tornar uma vantagem competitiva para os produtos da região.

"Quando forem vendidos, a soja, o algodão e os outros produtos do Oeste levarão a marca de um trabalho ambientalmente correto, e isso, principalmente quando falamos em exportação, é muito importante", disse Matos.

Equilíbrio - "Nosso objetivo não é a punição, é recuperar o meio ambiente", disse a diretora do IMA, Beth Wagner, acrescentando que "este plano marca o fim de uma grande preocupação e cria um instrumento para garantir o desenvolvimento sustentável do Oeste baiano".

Sete municípios já foram mapeados por satélite

O secretário Roberto Muniz enfatizou que o ato realizado ontem concretiza as ações que vem sendo desenvolvidas há 11 meses, com a realização do mapeamento por satélite de toda a região.

Os alvos foram os municípios de Luis Eduardo Magalhães, Barreiras, São Desidério, Riachão das Neves, Cocos, Correntina e Jaborandi. Posteriormente serão mapeados Formosa do Rio Preto e Santa Rita de Cássia.

A partir da assinatura da Portaria Conjunta 001 da Sema e Seagri, em 5 de fevereiro, foram criados os instrumentos legais para viabilizar o plano, a exemplo da Lei 11.478/2009, que dá à Bahia um marco regulador da questão ambiental, e o Acordo de Cooperação Técnica entre a Seagri, Sema, IMA, e Aiba assinado hoje.

Para o secretário do Meio Ambiente, Juliano Matos, "o momento que vivemos é ímpar. Conseguimos, numa grande articulação, mobilizar o governo e os produtores para solucionar uma questão, o passivo ambiental do Oeste, de mais de duas décadas. Com isso vamos agregar valor à produção, fazendo do Oeste uma zona de produção sustentável, assegurando qualidade dos produtos, preservando o meio ambiente e a perenidade dos rios da região".


Áreas já mapeadas

Luis Eduardo Magalhães

Barreiras

São Desidério

Riachão das Neves

Cocos

Correntina

Jaborandi