Reforma agrária muda vida de assentados

26/10/2009

Reforma agrária muda vida de assentados

 


As cerca de 300 pessoas reunidas em 47 famílias que vivem no Assentamento Frei Vantuy, em Ilhéus, estão conseguindos obreviver com dignidade graças aos resultados gerados pela reforma agrária.

Todas estão ligadas à Cooperativa de Produtores Agroecologistas do Sul da Bahia (Coopasb), que paga a elas uma média de dois salários mínimos, nas duas atividades agrícolas que desenvolvem: fabricação de frutas desidratadas e produção de cacau orgânico.

Legalizado há nove anos, o assentamento tem uma gestão de mulheres, que, segundo os próprios produtores rurais, transformou a vida deles.

Parceiras da ONG Jupará, responsável pelos projetos agroecológicos do assentamento, as famílias enfrentaram muita desorganização, nos três primeiros anos.

Houve até venda de lotes para estranhos, mas quem comprou acabou perdendo, diz a presidente do assentamento, Maiza Fontana Silva.

Agrovila Agora, todas as famílias vivem na agrovila, em casas de alvenaria que serão reformadas através de um crédito de R$ 5 mil do governo federal, por intermédio do Incra, mais R$ 2,5 mil, da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Urbano (Sedur).

Ali elas têm atendimento médico-odontológico do serviço móvel da prefeitura de Ilhéus. Além disso, 80 das100 crianças que vivem na localidade estudam naescola do assentamento, que dispõe aindade turmasdejovens eadultos do Topa e do EJA.

A atual diretoria está na segunda gestão e focou nos objetivos que hoje fazem do assentamento modelo de produção.

Para chegar a este ponto, precisou negociar dívidas de mais de R$ 105 mil com o Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) e com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A partir disto, conseguiu instalar uma fábrica cuja previsão de produção para este ano é desidratar 16 toneladas de frutas (banana,jaca, abacaxie jenipapo).

Valor agregado Os assentados foram qualificados pelo Departamento de Agroindústria daUniversidade de Santa Cruz (Uesc), que ainda presta assessoria às famílias.

A Conab absorve a produçãoda fábrica,que geratrabalho e renda para mulheres e jovens, e agrega valor às frutas, antes desperdiçadas na fazenda.

Hoje, uma jaca ou um cacho de banana comercializados naBA-415 nãovalem maisque R$ 2 . Industrializadas, as frutas chegam a custar R$ 10 o quilo, e são compradas pela Conab, que as destina à alimentação de 11 mil alunos da rede municipal de Ilhéus e a instituições filantrópicas.

Novos projetos Além da unidade da fazenda, há um projeto de instalar uma fábrica no Assentamento São Bento e na Associação de Produtores União e Trabalho, em I lhéus.

Ainda este ano, está previsto o início do processo de ampliação da fábrica de frutas desidratadas e instalação de uma fábrica de chocolate. A intenção é também agregar valor às 8 mil arrobas de cacau orgânico, produzidas por ano em240 dos476hectares dafazenda.

O cacau orgânico controla melhor a vassoura-de-bruxa e o chocolate vai ser usado na cobertura das frutas. Esses projetos, diz Maiza Fontana, serão bancados pela linha de crédito que o governo federal oferece a agroecologistas.

“Com eles, vamos criar mais 112 postos de trabalho”, adianta a líder, que ainda quer comprar 100 cabeças de boi, porco, ovelha e frango. Com as fezes dos animais, vai abastecer o biodigestor que deverá ser implantado no assentamento para produzir o gás que será utilizado nas fábricas, na agrovila e na irrigação das roças.

Outro projeto da coordenadora é abrir um ponto de vendas na frente da fazenda e criar uma Reserva Particular do Patrimônio Nacional (RPPN) em 30% de reserva legal, aproveitando a biodiversidade da área. No local, uma organização norte-americana descobriu 475 espécies de plantas, das quais 198 já foram catalogadas.