Brasil decola e pode ser a 5ª economia, diz revista
O crescimento econômico do Brasil é o tema da capa, de um editorial e de um especial de 14 páginas da edição desta semana da revista britânica T he Economist. A publicação, especializada e referência global em assuntos econômicos, chama o Brasil de “a maior história de sucesso na América Latina” e afirma que o País deve se tornar entre 2014 e 2024 a quinta economia mundial, superando França e Grã-Bretanha. No entanto, avalia que o maior risco para a nação é a “arrogância”.
Acapa mostraumamontagemcomo CristoRedentorno Rio de Janeiro (imagem do Brasil mundialmente conhecida) decolando, como se fosse um foguete. O título da capa é justamente “O Brasil decola”.
A revista cita as descobertas de petróleo no pré-sal (águas profundas no litoral) e as exportações para países asiáticos como elementos que vão estimular ainda mais o crescimento da economia brasileira nos próximos anos.
“Sob a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva, um ex-líder sindicalista que nasceu na pobreza, ogoverno temsemovido para reduzir as marcas das desigualdades”, diz.
Namatéria especialdedicada à potência emergente, a The Economist ressalta que “a China talvez esteja liderando a saída da economia mundial da recessão, mas o Brasil está em um bom momento”, recordando que a economia do País, pouco afetada pela recessão, deve voltar a crescer a partir do próximo ano ao ritmo de 5%.
A revista lembra que em 2003, quando o banco de negócios Goldman Sachs incluiu o Brasil, ao lado de Rússia, Índia e China, no grupo das economias que dominariam o mundo, criando o termoBric, “foram feitosmuitos comentários mordazes sobre o \\'B\\', recorda. Hoje, no entanto, o Brasil leva vantagemem alguns aspectos sobre os outros Bric. “Ao contrário da China, é umademocracia; ao contrário da Índia, não possui insurgentes, conflitos étnicos, religiosos ou vizinhos hostis.
Ao contrário da Rússia, exportamaisque petróleoearmase trata investidores estrangeiros com respeito”, diz a extensa reportagem.
A matéria diz que a evolução não foi repentina e vem acontecendo desde os anos 90. Umdos fatosimportantes teria sido a maior autonomia do Banco Central. A The Ecoafirma nomist também elogia a “imprensa livre”, que revela casos de corrupção, embora “muitos continuem impunes”.
Problemas “Assim como seria um erro subestimar o novo Brasil, também seria encobrir suas fraquezas. Algumas são deprimentemente conhecidas”, Ecoafirma a revista. Entre os problemas, aThe Economistcita o crescimento acelerado dos gastos públicos, os baixos números de investimentos, a violência e problemas na educação e infraestrutura, que deixam o País ainda atrás da China e Coreia do Sul – como lembrou o blecaute desta semana.
Além disso, há novos problemas no horizonte por trás das descobertas de petróleo, na avaliação da The Economist..
O real já se valorizou 50% em relação ao dólar desde dezembro. Se isso aumenta o padrão de vida da população, ao baratear as importações, também torna a vida dos exportadores mais difícil.
Para a publicação, a taxação imposta recentemente ao capital estrangeiro não irá interromper a apreciação da moeda, principalmente depois que o petróleo começar a ser explorado. A resposta instintiva do presidente Lula para essa questão é a política industrial, já que o governo vai exigir que os equipamentos paraosetor depetróleosejam feitos localmente e vem “mandando” que a Vale construa uma nova siderúrgica.
Apesar de a política pública ter ajudado a criar a base industrial brasileira, foram a privatização e a abertura que deram seu formato, avalia a revista. Para a The Economist, o governo “não está fazendo nada” para eliminar os obstáculos aos negócios, principalmente as“regras barrocas”de impostos sobre a contratação de pessoal. “Mas talvez o maior perigo que o Brasil enfrenta é o do orgulho excessivo”, afirma a reportagem da revista.