Exportação baiana aumenta 58% para a América Latina

16/11/2009

Exportação baiana aumenta 58% para a América Latina

 

 


Mesmo com o dólar em trajetória de queda, o que torna os produtos mais caros no exterior, a recuperação econômica dos países latino-americanos permitiu um resultado recorde nas exportações baianas em outubro, que registraram US$ 773,6 milhões, segundo dados divulgados pelo governo do Estado. Além de ser o melhor resultado deste ano, foi a primeira vez que um mês de2009 registrou exportações maiores que no mesmo mês do ano passado – o aumento é de 6,04% em relação a outubro de 2008.

Os vizinhos da América Latina aumentaram em 58% a compra de produtos baianos, principalmente os manufaturados.

“Argentina, México e Venezuela foram os principais compradores”, cita Arthur Souza Cruz, gerente de inteligência comercial do PromoBahia (órgão responsável pelo comércio exterior).

Na sua avaliação, a recuperação econômica mundial deve manter o crescimento das exportações baianas até o final do ano. “Os valores vão subir gradualmente, mas devemos fechar o ano com um resultado cercade 20% menorem relação a 2008”, prevê.

Na pauta dos manufaturados, tiveram crescimento os petroquímicos (28,6%), combustíveis (190,6%) e automóveis (9%). O setor automobilístico, por sinal, teve em outubro seu primeiro mês de 2009 com crescimento nas exportações, resultado da recuperação dos mercados.

O economistaGustavo Casseb, professor de macroeconomia da Unifacs, enxerga com naturalidade o resultado.

“Com o andamento da economiamundial, isso já era esperado.

Mesmo os Estados Unidos, maiores afetados pela crise, puxaram mais fôlego e voltaram a comprar manufaturados, além da China, que é grande importadora dos commodities brasileiros”, analisa. No entanto, ressalta que a desvalorização do dólar impediu resultado melhor.

Depreciação Desde o início do ano, o dólar já caiu 25,8%, fechando ontem a R$ 1,72. Empresários queixamse do resultado desse cenário para as exportações brasileiras. “Este câmbio está insuportável. No momento em que outros países voltam a comprar, se nosso produto está caro por causa da valorização do real, perderemos mercado”, argumenta Reinaldo Sampaio, coordenador da comissão de comércio exterior da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb).

Por outro lado, o câmbio favorece aimportação, queteve também o melhor resultado do ano (US$ 490,6 milhões).

“Empresários aproveitaram para importar insumos, além de bens de consumo, pela proximidade do Natal”, explica Souza Cruz.