Há possibilidade de se produzir cacaueiro irrigado no semi-árido
Foto: Luiz Conceio
“É possível produzir cacau em regiões semi- áridas, mas ainda é necessário fazer alguns ajustes”, afirmou o pesquisador do Centro de Pesquisas do Cacau Jose Basílio Vieira Leite, do Setor de Fomento à Produção (Sefop), na palestra de abertura do 1º Seminário sobre Cacaueiro Irrigado e Novas Fronteiras Agrícolas no auditório Hélio Reis de Oliveira, quando falou de experimentos realizados em Nova Redenção, a 385 quilômetros de Salvador, Chapada Diamantina, no semi-árido baiano. O evento reúne cerca de 200 participantes, entre produtores, extensionistas e técnicos da Ceplac e EBDA.
Para Basílio Leite, as condições de produção de cacau em regiões não tradicionais ainda é um processo de aprendizado. Lembrou que atualmente muitas culturas estão em constante transformação por vários motivos, dentre os quais interesses econômicos do País. De acordo com o palestrante várias regiões de interesse no Brasil têm experimentado a irrigação como método, a exemplo dos estados de Goiás, Minas Gerais, Sergipe e Alagoas. Na Bahia, há municípios como Barreiras, Juazeiro, Petrolina, Jequié, Vitória da Conquista, Guanambi e Bom Jesus da Lapa, que já aderiram ao cultivo irrigado graças às novas tecnologias de fertilização, manejo e equipamentos.
“As vantagens são muitas: alta produtividade, baixa incidência de doenças, facilidade de secagem, manejo da água, boa parte das atividades mecanizadas, boa qualidade das sementes, liquidez e comercialização. Isso tem atraído muitos produtores”, afirmou Basílio, que foi sucedido pelo pesquisador Paulo Roberto Siqueira, gerente da Ceplac no Espírito Santo, que mostrou a experiência do cacaueiro irrigado naquele estado do sudeste brasileiro. O seminário foi aberto com saudação do superintendente da Ceplac no Estado da Bahia, Antonio Zózimo de Matos Costa.
“Este é um tema palpitante por sua importância. É um evento que marca um divisor de águas para a Ceplac e aqui não vamos dizer que temos tecnologias formatadas e definidas, porque o plantio do cacaueiro irrigado ainda é objeto de experimentos”, disse Zózimo Costa. Segundo afirmou pelos estudos conduzidos no semi-árido brevemente a Ceplac terá um pacote tecnológico com fertirrigação para essas regiões de baixo índice de pluviosidade, com chuvas entre 600 e 800 milímetros por ano. “As áreas tradicionais de cacau continuarão sendo motivo da ação da Ceplac por ser a cacauicultura uma atividade importante para o País, “mas temos que buscar soluções pelo manejo adequado e outras práticas recomendáveis”, assinalou.
Já o chefe do Centro de Pesquisas do Cacau, Adonias de Castro Virgens Filho, lembrou as experiências da Ceplac há décadas com cacaueiros irrigados no Espírito Santo, Maranhão e na Bahia, com áreas no Perímetro Irrigado Jequié-Maracás, e no semi-árido em parceria com a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf) e Embrapa em Juazeiro, Petrolina e Bom Jesus da Lapa. “Vemos com bons olhos essa iniciativa de utilização da fertirrigação por produtores do Sul da Bahia, a exemplo de Camacan, Itabela e Eunápolis. A expansão do cacau também se dá pelo interesse do produtor, com o apoio da Ceplac”, afirmou.
Atualmente, a Ceplac tem discutido com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento um programa do Governo Federal de modernização das regiões tradicionais produtoras de cacau e inclusão do semi-árido. “O Sul da Bahia não pode permanecer nessa indefinida crise de mais de 20 anos. Os estudos nos levam a pensar a recuperação de 450 mil hectares de cacau como resposta do governo ao produtor”, revelou Adonias Castro Filho.
Com relação ao zoneamento agrícola do cacau anunciado recentemente pelo Mapa, o chefe do Cepec disse que não está fechado, principalmente porque está sendo revisto pelos técnicos da Ceplac e diretores da Associação dos Produtores de Cacau (APC). “Como vantagens, o zoneamento trás a possibilidade de o agricultor contratar seguro rural e esta é uma ação importante de política agrícola”, concluiu.
Fonte:
Assessoria de Comunicação Social – Ceplac
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