Novo ciclo de baixa para os preços do açúcar

24/11/2009

Novo ciclo de baixa para os preços do açúcar

 

 

Os preços futuros do açúcar deverão cair 17% até o fim de janeiro, com a saída dos especuladores do mercado, uma vez que as cotações da commodity não vão repetir o movimento de ganhos recentes, segundo Jean Bourlot, ex-diretor de comércio agrícola do Morgan Stanley.

Os contratos futuros do açúcar demerara caminham para o segundo declínio mensal, depois de terem atingindo o patamar mais alto de 28 anos em setembro, devido à especulação de que a oferta seria contida pelo clima adverso no Brasil e na Índia. Agora, o "risco é maior que a recompensa" e o açúcar já não é uma mercadoria que apenas sobe, segundo Bourlot. Segundo ele, os preços do arroz poderão subir mais.

Ontem, os contratos do açúcar para março fecharam a 22,14 centavos de dólar por libra-peso na bolsa de Nova York, recuo de 33 pontos.

"Apesar de todas as tradings e os bancos de investimento estarem apresentando um quadro cor-de-rosa para o açúcar, teremos um belo vermelho muito em breve", disse Bourlot. "Quem comprou açúcar em agosto está com um rendimento próximo de zero, o que é fraco para um período de três meses."

Os fundos de hedge e outros grandes especuladores reduziram desde abril suas posições compradas, ou apostas em alta nos preços, nos contratos de açúcar demerara de Nova York, segundo dados divulgados em 20 de novembro pela Commodity Futures Trading Commission dos Estados Unidos.

"Fui altista quanto ao açúcar demerara por 18 meses, mas agora creio, ao contrário de antes, que esse negócio não pode mais apenas subir", disse ele. Ainda há um excesso de dinheiro especulativo no mercado de açúcar, segundo Bourlot, que trabalhou no Morgan Stanley durante 11 anos e hoje tem sua própria empresa, em Sidney.

"O açúcar é atualmente a mercadoria de maior consenso no mercado das commodities", o que quer dizer que os analistas estão mais de acordo quanto aos ganhos dos contratos futuros do açúcar demerara do que em relação a qualquer outra commodity, disse ele. Bourlot recomendou a compra de contratos futuros com vencimento em março de 2011 quando os preços caírem, dizendo que "não existem" estoques globais contra a quebra de futuras safras.

Segundo Bourlot, já o arroz deverá subir cerca de 15% em dois meses. As Filipinas, o maior comprador de arroz do mundo, deverá fazer aquisições recorde depois que as safras foram destruídas por tempestades.