Dia de Campo sobre cultivo do guaraná orienta a colheita

27/11/2009

Dia de Campo sobre cultivo do guaraná orienta a colheita

 

 

Foto: Divulgação
A colheita seletiva com catação de frutos maduros do guaraná pode representar ganhos de até 20 por cento ao agricultor familiar se comparado com a colheita normal com cachos até 50% abertos. Esta foi uma das principais recomendações feitas em parceria pelos extensionistas da Ceplac e da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) no Dia de Campo do Guaraná realizado na quarta-feira, 25, no Projeto Onça, na região rural do Rio Negro, município de Taperoá. O evento foi promovido pela Prefeitura, com a parceira de diversas instituições, tais como Sebrae, Banco do Nordeste, Banco do Brasil, Associação dos Municípios do Baixo Sul da Bahia (Amubs) e Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri), entre outras.

Um dos instrutores, o extensionsita da Ceplac Valdo Brito, chefe do Escritório Local da Ceplac, em Taperoá, que presta assistência técnica aos agricultores de Nilo Peçanha, Cairú e Valença, orientou a secagem das sementes pequenas de guaraná por três horas em estufa, após leve pisoteio e lavagem, o que garante maior qualidade ao produto, maior teor de cafeína e menor teor de gordura, com bons reflexos no preço final. A orientação se contrapõe ao costume do agricultor familiar de privilegiar as sementes grandes, que para redução da umidade requer até seis horas de sacagem em estufa, o que não compensa. “Quanto menor o tempo de secagem, maior ganho terá o agricultor, inclusive quanto à qualidade”, disse.

O Dia de Campo do Guaraná foi encerrado, ao final da tarde, pelo governador da Bahia, Jaques Wagner, que esteve acompanhado dos secretários da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária, Roberto Muniz, Justiça e Direitos Humanos, Nelson Pellegrino, do superintendente da Ceplac na Bahia, Antônio Zózimo de Matos Costa, e do chefe do Centro de Extensão da Ceplac (Cenex), Sérgio Murilo Correia Menezes, entre outras autoridades. O governador saudou as instituições parceiras, assinou a doação de títulos de propriedade a 298 agricultores familiares, 20 tanques-redes para criação de tilápias, 100 mil alevinos e 40 mil mudas de seringueira produzidas pela Ceplac/Suaf/Seagri, além de inaugurar a ligação de energia elétrica para 215 casas das vilas rurais de Rio Negro, Santo Antonio, São João e Marimbu.

O secretario Roberto Muniz disse que o Governo da Bahia em parceria com a Ceplac tem investido forte na recuperação do cultivo do guaraná e na recuperação da lavoura cacaueira com o PAC do Cacau. “Os produtores dessa fruta contarão com o apoio incondicional do estado, inclusive para acessar novos mercados o que incluirá a exportação”, declarou, assinalando que o Plano Agrícola e Pecuário 2009/10 prevê preço mínimo de R$ 8,92/kg para o guaraná. A Ceplac em parceira com Governo da Bahia, Seagri, EBDA e prefeituras começou a desenvolver neste ano projeto de recuperação da lavoura de guaraná no Baixo Sul baiano, região de grande potencial para a diversificação econômica e onde há plantios comerciais de cacau, seringueira e dendê.

Pelos dados do Sistema de Informações do Centro de Extensão da Ceplac (SisCenex) relativos ao ano agrícola 2008/2009 estão plantados 4.455 hectares com produção de 2.422 toneladas de grãos destinadas a abastecer o mercado consumidor nacional e regional, já que há indústrias de processamento de guaraná  em alguns municípios com a oferta de cerca de 200 empregos diretos.

O chefe do Núcleo Regional da Ceplac de Valença, Joailton Manoel de Jesus, classificou como um evento vitorioso o Dia de Campo do Guaraná por reunir mais de três mil agricultores, integrar instituições parceiras em benefício da sociedade e favorecer a ação dos extensionistas da EBDA e da Ceplac que, além de coordenar, se mostrou indispensável à consolidação do desenvolvimento daquela região do estado. “Com a responsabilidade que tenho quero registrar isto e dizer que tudo só foi possível pela maciça participação dos colegas de cinco unidades da Ceplac que se superaram nas orientações sobre o cultivo do guaraná, do plantio ao beneficiamento. Esses profissionais tiveram o entusiasmo de iniciantes e repassaram o conhecimento adquirido ao longo dos anos”, resumiu.

O guaranazeiro nativo da Amazônia produz o fruto conhecido como guaraná e é espécie vegetal arbustiva e trepadeira, cujo nome provém do termo indígena "varana", que significa árvore que sobe apoiada em outra. Na Bahia é cultivado no Baixo Sul, tornando o estado o maior produtor do país, já que a produtividade dos plantios é muito superior, visto que a região reúne condições mais propícias ao desenvolvimento da planta, com boa distribuição de chuvas ao longo do ano, solos de maior fertilidade e baixa incidência de doenças como a antracnose, além de usar tecnologias geradas pelos pesquisadores da Ceplac, a exemplo de José Vanderley Ramos e Gilberto de Andrade Fraife Filho, cujo estudo pode ser encontrado no Radar Técnico no sitio na Internet (www.ceplac.gov.br/radar/guarana.htm.)

Fonte:
ACS – Sueba