Desvalorização do dólar eleva custos de produção de grãos
Segundo estimativa da Associação Baiana de Produtores de Algodão (Abapa) a área plantada deve diminuir em aproximadamente 6% para a próxima safra. Uma das principais causas desta substituição está nos custos de produção, considerados altos com a desvalorização do dólar frente ao real.
O presidente da Abapa, João Carlos Jacobsen, explica que os custos de produção incluem despesas em dólar e em real, mas como o algodão é negociado em moeda americana, a participação do real na composição dos custos cresceu nos últimos anos. “Nem mesmo a alta no preço do produto na última safra foi suficiente para recompor estas perdas”, disse.
Não fosse esta alta, porém, a redução da área plantada seria muito maior em 2010.
“Produtores estão optando pela soja que não sofreu um impacto tão grande no aumento dos custos de produção”, explica o presidente da Abapa.
Diagnóstico Estudo de Prospecção de Mercado para a Safra 2009/2010, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) identifica queda de 23% no custo com insumos para a produção de algodão, emespecial com fertilizantes e defensivos.
Além disso, o estudo aponta redução de custo com a adoção de novas tecnologias, como o plantio do algodão adensado.
“O custo de produção é menor, mas a produção perde em valor agregado, a economia se perde no rendimento”, explica o presidente da Abapa. Esta técnica, segundo ele, é indicada para recompor a produção e não para a substituição das culturas tradicionais.
Outras culturas A queda do dólar é sentida, embora com menor intensidade, por outras culturas. O milho, por exemplo, também tende a perder área para a soja, mas vem registrando aumento no volume exportado nos últimos três anos.
No diagnóstico da safra 2009/2010, a Associação Baiana de Agricultores e Irrigantes (Aiba) informa que o milho apresentou queda de área da ordem de 5,6%, caindo de 180 mil hectares da safra 2008/2009 para 170 mil hectares nesta safra.
No ciclo 2008/2009 o cereal atingiu a maior produtividade média já registrada na região oeste da Bahia,com135 sacas por hectare e produção de 1,46 milhão de toneladas. Já para a safra 2009/2010, o Conselho Técnico da entidade estima que a produtividade do grão alcance 125 sacas por hectare, o equivalente a 1,3 milhão de toneladas por hectare.
Com o reflexo da crise na cultura do milho, a região oeste está com o cereal estocado em excesso. Por falta de estrutura em algumas microrregiões ainda pode-se encontrar milho da safra 2007/ 2008 em estoque.
Já a soja, apesar da queda em aproximadamente 9% nos preços, mantém a liderança das exportações de grãos produzidos na Bahia no volume. Para a safra 2009/ 2010, a previsão é de que a área da cultura aumente 6,4%, chegando a 1,046 milhão de hectares. A produtividade média estimada para este primeiro levantamento é de 46 sacas por hectare, com produção de 2,9 milhões de toneladas, o que representa aumento de15,2% sobre a produção da safra anterior.