Após período de alta, exportações baianas caem 25,3% em novembro
No jargão econômico, são chamados de "voos de galinha" os períodos de crescimento intercalados por baixas abruptas e vertiginosas.
Desde o início deste ano, com a retomada da crise econômica global, as exportações da Bahia têm se aproximado deste conceito. Desde janeiro, foram três quedas significativas: em maio, agosto e agora em novembro.
Depois de dois meses de incremento no volume de produtos exportados,as exportações baianas tiveram uma redução significativa em novembro.
Ao todo, foram exportados U$ 578,3milhões em produtos, uma queda de 25,2%emrelação aomêsanterior.
Comparado comnovembro de 2008, houveumrecuo de5,2% dovolumeexportado.
Esta foi a terceira queda abrupta nas vendas para o exterior desde o início do ano.
Por trás desta queda significativa, estão fatores como os ajustes sazonais nas safras de soja, que registrou queda de 68%, e algodão, com redução de 20% do volume exportado.
“Estes dois produtos foram os únicos que vinham tendo resultados positivos este ano, mas o período de entressafra forçou uma diminuição da produção”, explica Arthur Souza Cruz, coordenador de inteligência comercial do Centro Internacional de Negócios da Bahia (Promo).
Mas as quedas não foram pontuais. Setores relevantes da economia baiana também registraram umrecuo significativo: no setor de petroquímicos, a arrecadação de U$150 milhõesem novembrofoi reduzida para U$ 100 milhões em outubro; nos automóveis, queda de U$ 50 milhões para R$ 27 milhões. Segundo Arthur Souza Cruz, a queda na demanda externa aliada à valorização do realforam osresponsáveis pela redução da margem de lucro nas exportações destes setores.Acumulado De janeiro a novembro, as exportações baianas atingiram US$ 6,35 bilhões, o que representa uma redução de 23% em relação ao mesmo período do ano anterior. A União Europeia foi o mercado que mais recuou, com queda de 43% nas compras de produtos baianos.
Na sequência, vêm os Estados Unidos, comredução de 41%, seguindo de Mercosul, com 35%. Por outro lado, a China se firmou como principal parceiro comercial do Estado, com crescimento de 71,6% de janeiro a novembro. “As vendas caíram no último mês, mas o apetite chinês por nossos produtos continua alto”, pontua Arthur Souza Cruz.