Terminais pesqueiros de Salvador e Ilhéus vão funcionar em 2010

17/12/2009

Terminais pesqueiros de Salvador e Ilhéus vão funcionar em 2010

 

 

Os terminais pesqueiros de Salvador e Ilhéus devem começar suas atividades de desembarque de pescados no próximo ano. O convênio do programa Pescados da Bahia, que inclui a construção dos terminais, foi assinado ontem, no Centro Administrativo da Bahia (CAB), pelo governador Jaques Wagner, juntamente com o ministro da Aquicultura e Pesca, Altemir Gregolin.

Em Salvador, o terminal ficará na Enseada dos Tainheiros (Ribeira). Já em Ilhéus, ele será construído nas instalações do antigo porto da cidade, que fica na Enseada do Pontal, próximo à foz do Rio Cachoeira. Eles vão abranger 35 municípios do litoral norte, Região Metropolitana de Salvador (RMS), recôncavo baiano, baixo sul e litoral sul.

Quase R$ 20 milhões serão investidos na construção dos terminais, o que fará com que o pescado capturado no litoral baiano deixe de ir para outros estados que possuem infraestrutura, como Espírito Santo, Rio de Janeiro e Ceará. Esse transporte é que faz os peixes ficarem mais caros.

O investimento na construção dos terminais também vai colaborar para suprir o déficit na produção baiana, que hoje atende 70% do consumo interno do estado, como destacou o presidente da Bahia Pesca, Isaac Albagli.

"Com os terminais, esse déficit tende a mudar. No futuro, pretendemos construir outro terminal, no extremo sul da Bahia, para que a costa do estado fique toda estruturada. O que primeiro temos que fazer é zerar o déficit. A Bahia produz cerca de 80 mil toneladas de pescado, mas o consumo é, de aproximadamente, 120 mil", informou Albagli.

Potencial – O ministro disse que a Bahia tem potencial para aumentar a produção e por isso está cada vez mais recebendo investimentos federais nesse setor.

"Além de criar uma estrutura adequada para o desembarque do pescado, estamos investindo no aumento de embarcações para pesca em águas mais profundas. O potencial do estado é muito grande, seja na pesca quanto na aquicultura, através da piscicultura", declarou Gregolin.

Outros investimentos também estão sendo realizados no estado para fortalecer as atividades pesqueiras. Entre eles, a distribuição de 48 freezers e 33 balanças. Os equipamentos são apropriados para conservar o pescado que será comercializado e melhorar a higiene das mercadorias ofertadas.

Além disso, foi implantada a escola-fábrica comunitária em cinco municípios. Ali, os pescadores e marisqueiras terão aulas de alfabetização, organização, autogestão e boas práticas de fabricação, o que vai gerar um aumento na renda.


Mais de 35 mil pescadores serão beneficiados em várias regiões


A construção dos terminais vai beneficiar mais de 35 mil pescadores, disse o secretário da Agricultura, Roberto Muniz. Além de Salvador e Ilhéus, onde serão construídos, os terminais vão atender às demandas de seis municípios do Litoral Norte; nove municípios da Região Metropolitana; sete municípios no Recôncavo Baiano; a Região do Baixo Sul, com nove municípios; e o Litoral Sul, com os municípios de Maraú e Itacaré. "É um salto qualitativo e um marco para a pesca na Bahia", disse o secretário.

Além de destacar o enorme potencial pesqueiro do Estado, o de maior extensão litorânea no Brasil, com 1.183 quilômetros, tanto o governador Jaques Wagner como o ministro da Pesca, Altemir Gregolin, enfatizaram que não era possível admitir que a Bahia não tivesse terminais pesqueiros.

Jaques Wagner fez um comparativo com a reforma agrária, afirmando que o Estado fazia sua revolução na água, referindo-se à importância das obras. "Aqui nós temos consumo interno, água e pescado. Faltavam as obras de infraestrutura, que são os terminais, que agora vão ser feitas", disse.