Pesquisa comprova propriedade antibiótica em colônias de cupins
Os costumes populares de passar a terra do cupinzeiro sobre a pele para ajudar a cicatrizar ferimentos ou preparar um xarope contra a tosse usando o próprio inseto, práticas comuns em comunidades rurais e entre indígenas, acabam de receber o respaldo de uma pesquisa científica.O estudo comprovou propriedades antibióticas em colônias de cupins.
A pesquisa de mestrado em biotecnologia do estudante Getúlio Freitas Bomfim, da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), foi finalista no Concurso de Ideias Inovadoras da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb).
Os primeiros resultados indicam que no futuro deve ser possível produzir novos antibióticos depois que for isolada a substância que dará origem ao princípio ativo. Mas será preciso esperar o aprofundamento dos estudos, que pode levar até duas décadas.“Até chegar a um produto final para o mercado, pode demorar entre 10 e 20 anos”, explica o professor Eraldo Costa Neto, co-orientador do mestrado de Getúlio.
As bactérias procuram o cupinzeiro em busca de nutrientes contidos na matéria orgânica.Desta forma, colaboram com a manutenção da comunidade de insetos, produzindo substâncias que combatem alguma contaminação que pode ser trazida pelos indivíduos que entram e saem do cupinzeiro nas suas atividades diárias. São as bactérias que mantêm o cupinzeiro livre de fungos.
O pesquisador Getúlio Bomfim conseguiu reproduzir este efeito em laboratório, cultivando micro-organismos que causam inflamações e doenças como candidíase e conjuntivite. Bastou colocar pequenas porções de terra do cupinzeiro para impedir a proliferação dos micro-organismos nas placas de vidro usadas na experiência.
O uso medicinal de cupins ou da terra onde eles vivem está presente em diversas culturas ao redor do mundo, segundo o professor Eraldo. É usado para combater doenças como gripe, bronquite e até pneumonia.
Mas, de acordo com o levantamento de Getúlio, esta é a primeira vez que se faz uma pesquisa exclusivamente com a terra. Já foi pesquisado o uso direto dos insetos, porém a conclusão do mestrando é que os resultados obtidos somente com a terra do cupinzeiro são melhores.
Ele espera que a pesquisa desperte o interesse das indústrias que produzem antibióticos.O material da pesquisa do estudante da Uefs foi coletado em três regiões diferentes da Bahia: Morro do Chapéu (Chapada Diamantina), Lafaiete Coutinho (na região sudoeste) e no distrito de Maria Quitéria, em Feira de Santana.