Varejo detém 65% do preço da carne e fica com maior parte do lucro
Levantamento realizado pela Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), apresentou dados para explicar o porquê de tanta diferença entre os preços da arroba do boi e o quilo da carne vendida nos supermercados de todo o Brasil.
"A grande arma do varejo (supermercado e açougues) está no poder estratégico de ter a informação direta e diária do consumidor, trabalha com a oferta e procura, definindo os preços e pressionando o atacado. Do lado oposto fica o produtor, distante do consumidor, assumindo os maiores riscos e pressionados pela variação do mercado", analisou o superintendente da Acrimat, Luciano Vacari.
O estudo realizado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuário (Imea), mostra um levantamento detalhado da participação dos três elos da cadeira produtiva do setor de carne - boi gordo (arroba), atacado (indústrias frigoríficas) e varejo (supermercados, açougues e feiras) - no período de 2005 a 2009.
Ficou constatado, que em termos médios, a margem total de comercialização é de 70% para os agentes envolvidos na comercialização, sendo 5% para o atacado e 65% para o varejo, enquanto o produtor rural fica com 30%. Isso significa que para cada R$ 100,00 gastos pelo consumidor na compra de carne bovina, R$ 70,00 são atribuídos pelos agentes envolvidos no processo de comercialização e R$ 30,00 pelo produtor.
Este ano a diferença foi ainda maior, onde o produtor ficou com 27% dessa participação, o atacado com 6% e a margem do mercado varejista trabalhou em direção oposta, com ganho de 67% de margem. Ou seja, o conjunto dos agentes de comercialização, atacado e varejo, recebem a maior parcela da renda obtida com a venda de carne bovina, com 73%.
"Apesar de o produtor apresentar 25% de margem maior que o atacado, não significa que o lucro do produtor seja maior, pois a margem engloba custos e lucro. Além disso, pode-se dizer que os criadores são os que assumem os maiores riscos, sendo responsáveis pelo manejo necessárias até o abate e estão suscetíveis a variações climáticas na pecuária extensiva e altos custos diários na pecuária intensiva", disse a analista de inteligência do Imea, Flávia Masotti.
Os estudos mostram que a maior distância do produtor dentro da cadeia, faz com que o produtor tenha as informações menos completas, e, portanto tende a ter a margem mais afetada.
Quanto o comparativo é sobre a evolução dos preços da arroba e da carne, a diferença continua acentuada entre os três elos da cadeira produtiva. Nos últimos quatro anos o preço da arroba do boi gordo teve alta de 18%, o atacado registrou 20% de aumento e o varejo majorou o preço da carne em 44%.
"Quanto comparamos os preços de 2008 para 2009, o preço da arroba (boi gordo) baixou 10% e do atacado 2%, enquanto isso, o varejo nada perdeu, pelo contrário, ganhou 8%. Não existe dúvida que o varejo fica com a maior fatia do boi mesmo permanecendo com o produto por um curto período, e se responsabilizando apenas em acondicionar e cortes", ressaltou o diretor da Acrimat, Júlio Ferraz. Essa queda no preço da arroba de 2008 para 2009 ocorreu devido a crise mundial que afetou todo setor produtivo.
Fonte:
Associação dos Criadores de Mato Grosso