Pescadores descumprem proibição de usar redes

18/01/2010

Pescadores descumprem proibição de usar redes

 

Em período de piracema tempo em que os peixes sobem os rios para desovar e reproduzir a pesca do cari, peixe característico de rios e lagos nas Américas Central e do Sul, é intensificada na região de Juazeiro (500 km de Salvador). Indiferente às fiscalizações do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Ibama), pescadores descumprem instrução normativa que proíbe a pesca de peixes usando redes durante os quatro meses da piracema de 1º de novembro a 28 de fevereiro.

Os pescadores pescam o cari com redes e comercializam em toda a cidade, independentemente do local e da higiene.

Eles não aceitam dar entrevista e trabalham alheios à possibilidade de ter o produto e redes apreendidos pelo Ibama e ainda ter de pagar multa.

De acordo com o presidente da Colônia de Pescadores de Juazeiro, Domingos Márcio Matos, a pesca acontece sem apoio da entidade. “Eles não percebem que isso faz com que o peixe acabe. Há anos que ninguém acha cari como antes”, afirma.

Nas bancas de madeira montadas embaixo das árvores, na margem do Rio São Francisco, próximo à vila de pescadores no bairro Angary, os peixes que acabam de chegar nos barcos são tratados e vendidos. O cari é muito apreciado pela população e a venda é garantida.

“Gosto muito desse peixe que quase não vemos por aqui durante o ano. Sempre que aparece eu compro”, conta o agricultor Wilson Mendes.

Ele comprou os caris no meio de um cruzamento às margens da BA-210 que liga Juazeiro a Curaçá. Na lona preta no chão, os peixes se debatem sob o sol quente e sem oxigênio à espera dos compradores.

Os peixes têm o casco preto e duro arrancado enquanto ainda estão vivos, segundo vendedores, “para que a carne não fique amarga, se não perde a qualidade e não tem saída”. O comerciante de frutas Antônio Pereira da Silva comprou dois mil caris ao preço de R$ 0,50 cada um e vendeu a R$ 1. “Não demora nem duas horas para vender tudo”, informa.

Fiscalização Para que a produção de peixes seja suficiente durante o ano, é preciso respeitar o período da piracema e as regras para a pesca, ressalta o chefe do Ibama em Juazeiro, Djalma Ferreira. Segundo ele, a pesca do cari é liberada, mas se for com anzol.

“O que precisa ser entendido é que a pesca não pode acontecer com utilização de redes. Os pescadores acabam pegando muitos peixes de forma aleatória e trazem caris de vários tamanhos. Com isso, eles acabam tendo prejuízo, pois perdem valor comercial”, explica. O chefe do Ibama assegura que as fiscalizações vão acontecer para que as regras quanto ao tipo de pesca sejam cumpridas.

Os caris, também chamados de cascudo, acari, boi-de-guará e uacari, são peixes exclusivamente de água doce, têm o corpo delgado, revestido de placas ósseas ou, no caso dos encontrados no Rio São Francisco, de casco preto e duro, difícil de ser retirado e cabeça grande. Vivem nos fundos dos rios, até cerca de 30 metros de profundidade.

O alimento deles é o lodo, vegetais e restos orgânicos achados em rios e lagos.

O cari tem casco preto e duro, retirado quando está vivo para que a carne não fique amarga

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