Produção da Bahia Pesca chega a sete milhões de alevinos em 2009

19/01/2010

Produção da Bahia Pesca chega a sete milhões de alevinos em 2009

 


Mais alimento e renda: Bahia Pesca fornece alevinos e dá capacitação para pequenos produtores, que fazem a engorda dos peixes para consumo e comercialização

Sete milhões de alevinos foram produzidos pela Bahia Pesca em 2009, o que representa crescimento acima de 40% em relação a 2008. Este ano, a produção deve ser significativamente maior, tendo em vista que a estação de Caiçara, em Paulo Afonso, vai entrar em operação.

Com isso, a Bahia Pesca, empresa da Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri), deve multiplicar a atual produção de alevinos (filhotes de peixe) por dez no próximo ano.

As razões são simples. Em 2008, as sete estações de piscicultura da Bahia Pesca produziram 4,1 milhões de alevinos. Já em 2009, essas estações passaram por profundas reformas e somente começaram a produzir de forma significativa a partir do segundo semestre, mas mesmo assim ultrapassando a meta de produção alcançada no ano anterior, chegando a sete milhões de alevinos.

Com a conclusão das reformas e com a entrada em operação da Estação de Caiçara, a meta da Bahia Pesca é atingir mais de 50 milhões de alevinos a partir do final de 2010. Isso porque somente a região de Paulo Afonso deve produzir mais de 12 milhões, tornando-se a maior unidade de produção de alevinos no estado.

Áreas de produção – Das sete estações mantidas pela Bahia Pesca, a de maior produção em 2009 foi a de Boa Vista do Tupim, no município do mesmo nome, com dois milhões de alevinos.

Em seguida vieram as de Pedra do Cavalo, no município de Cachoeira (1,7 milhão); Joanes II, em Camaçari (1,45 milhão); Jequié (um milhão), Itamaraju (650 mil), Cipó (310 mil) e Porto Novo, no município de Santana, cujas reformas somente foram concluídas no final deste ano.

Com isso, o programa de povoamento em aguadas públicas beneficiou mais de dez mil famílias em 57 municípios em 2009, principalmente as localidades que ficam no semiárido.

Através de entidades e associações, a Bahia Pesca fornece os alevinos e dá capacitação para os pequenos produtores rurais, que, após o período de alevinagem, fazem a engorda dos peixes com rações balanceadas.

Poços artesianos – Para o presidente da Bahia Pesca, Isaac Albagli, 2010 se configura como o ano da piscicultura na Bahia. Isso porque, além dos programas em andamento, outros já entram na fase de execução.

Ele citou o trabalho de reaproveitamento de poços artesianos dessalinizados, que começa pela região de Ipirá, e o de peixamento avançado em aguadas públicas, com a utilização de tanques-rede para aclimatação e alevinagem por períodos entre 30 e 435 dias, até a sua soltura definitiva em açudes, barragens e represas.
 

Terminais pesqueiros vão modernizar a atividade comercial


Curso ministrado pelo Estado ensina pescadores a usar o GPS para a prática da pesca oceânica

A construção de dois terminais pesqueiros – Ilhéus e Salvador –, os primeiros no estado, se constitui na principal estratégia da Bahia Pesca para modernizar o segmento.

Detentora do maior litoral brasileiro (1.180 quilômetros), a Bahia é o terceiro estado maior produtor de pescado no Brasil, com uma média anual de 80 mil toneladas.

Mas, apesar da sua produção, esta não atende sequer 60% do consumo interno, forçando o estado a importar o pescado de outras regiões. O maior problema é que boa parte da pesca feita nos limites da plataforma continental baiana não é desembarcada no próprio estado, por causa da falta de infra-estrutura para abrigar os grandes barcos pesqueiros.

O resultado é que o peixe que é pescado em águas baianas vai para outros estados e retorna à Bahia com preços mais altos.

Profissionalização – Com a construção dos dois terminais, além das vantagens técnicas para a pesca, como abastecimento, sistema de rádio, insumos, os pescadores baianos terão condições de se profissionalizar para a pesca oceânica.

Isso começa a ser possível graças aos cursos de capacitação que a Bahia Pesca, com a participação da Fundação para o Desenvolvimento das Comunidades Pesqueiras Artesanais (Fundipesca), vem fazendo com pescadores de várias regiões do estado.

Já com essa visão do futuro, os pescadores vêm aprendendo as técnicas de pesca em alto-mar, com o uso de tecnologias do GPS, sondas, radiogoniômetros, radares e equipamentos de comunicação (VHF e SSB).

O curso é dividido em duas partes – uma em terra e outra no mar e duração de 200 horas –, com práticas de equipamentos de tecnologia náutica e manuseio de embarcações. Conta com alunos dos municípios de Caravelas, Prado, Canavieiras, Ilhéus, Valença, Vera Cruz e Salvador.

Baía – Para a pesca artesanal, predominantemente feita no Recôncavo, a Bahia Pesca desenvolveu o Projeto de Fortalecimento da Pesca Artesanal na Baía de Todos-os-Santos, com um investimento de R$ 1,135 milhão, feito em conjunto com o Ministério de Aquicultura e Pesca. Foi feita a capacitação dos pescadores em gestão, associativismo e cooperativismo, mecânica de motores marítimos e tecnologias do pescado, e 58 barcos a motor foram distribuídos.
 

Estado já tem sete estações de piscicultura em operação


Além da Caiçara, são sete as estações de piscicultura da Bahia Pesca, onde são produzidos os alevinos para os programas de povoamento no interior. Elas produzem matrizes e reprodutores de alevinos para distribuição, povoamento e repovoamento de corpos d’água públicos, além da comercialização para aquicultores particulares.

Joanes II – Está localizada na Barragem Joanes II, próxima ao município de Camaçari. Tem capacidade de produzir cinco milhões de alevinos/ano.

Pedra do Cavalo – Fica no lago da Barragem de Pedra do Cavalo, no Rio Paraguaçu, perto da cidade de Cachoeira. Tem capacidade de produzir seis milhões de alevinos/ano das espécies tambaqui, tambacu e pacu.

Cipó – Situa-se no município de Cipó, na Bacia do Rio Itapicuru. Tem capacidade de produção de dois milhões de alevinos/ano dos tipos carpa e tilápia.

Boa Vista do Tupim – Com localização no Açude Riacho dos Poços, município de Boa Vista do Tupim, pode produzir 3,5 milhões de alevinos/ano. Trabalha com tambaqui, tilápia e carpa.

Porto Novo – Fica em Vila do Porto, município de Santana, no oeste da Bahia. Tem capacidade de produção de 3,5 milhões de alevinos/ano das espécies pacu, curimatá, tambaqui, matrinchã e piaus.

Jequié – Localiza-se na margem esquerda do Rio de Contas, na Barragem de Pedras, no município de Jequié. Pode produzir 20 milhões de alevinos/ano das espécies carpa comum, tilápia, curimatá e tambaqui.

Itamaraju – Fica perto da sede do município de Itamaraju e tem capacidade de produzir cinco milhões de alevinos de tambaqui, tambacu, carpa e tilápia.

Caiçara – Situada em Paulo Afonso, deve produzir mais de 12 milhões de alevinos/ano, com predominância para a tilápia. Está em fase de conclusão de obras, devendo entrar em operação nos primeiros meses deste ano.

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