Baldes são os grandes vilões no manuseio das cisternas no semi-árido

09/02/2010

Baldes são os grandes vilões no manuseio das cisternas no semi-árido

 

Ao investigar a eficácia das barreiras sanitárias instaladas em cisternas no semi-árido pernambucano, o mestre em Tecnologia Ambiental e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Sérgio Henrique Braga de Souza apontou que a bomba manual é um dos recursos que proporcionam melhores resultados, "pois evita que a água entre em contato com as mãos do operador, possivelmente uma das principais formas de contaminação".

Sérgio Souza conclui no trabalho Avaliação da eficácia de barreiras sanitárias em sistemas para aproveitamento de águas de chuva no semi-árido pernambucano, defendido em março de 2009, que os baldes usados na coleta de águas nas cisternas também são utilizados para diversos outros fins; não só para tirar água das cisternas. "É comum é que este balde fique no chão ou seja manuseado por usuários que não lavam bem as mãos" alerta.

Os resultados do estudo, que teve a orientação da professora Suzana Montenegro, do Departamento de Engenharia Civil da UFPE, indicaram, ainda, que, embora alguns parâmetros de qualidade da água das cisternas acopladas às bombas manuais não tenham permanecido dentro dos padrões de potabilidade exigidos pela portaria 518/04 do Ministério da Saúde, a qualidade da água disponibilizada para o usuário foi melhor em cisternas dotadas de barreiras sanitárias.

Para realizar a pesquisa, foram escolhidas uma escola rural e uma vila de casas conjugadas, ambos no município de Pesqueira, e instalados dois sistemas para aproveitamento de águas de chuva, dotados de barreiras sanitárias para a melhoria da qualidade da água nas cisternas. Para a investigação, foi realizada uma simulação de chuvas onde foram coletadas amostras em diversos pontos do sistema para verificação da eficiência das barreiras sanitárias com relação aos parâmetros físico-químicos e bacteriológicos da qualidade da água.

Outra medida importante adotada foi o uso de um equipamento de descarte automático das primeiras águas de cada chuva. "O dispositivo é utilizado para impedir que a água da chuva que escorre do telhado no inicio da precipitação, e com impurezas do sistema de captação dissolvidas, chegue ao interior das cisternas, descartando a água da chuva proveniente do início da precipitação", esclarece Sérgio Souza.

Segundo o mestre em Tecnologia Ambiental e Recursos Hídricos, os principais pontos de contaminação normalmente são o telhado, o balde (usado para tirar água) e o pote. "No caso do telhado, há o fato de que animais passam por ali e deixam dejetos (urina, fezes etc.) e também há pássaros que podem fazer o mesmo. Durante tempos de estiagem, o telhado também acumula muita poeira. No caso do balde, jogado dentro da cisterna, normalmente é usado para outros fins e não muito raro fica pelo chão. E o pote por um motivo semelhante ao balde, a contaminação acontece quando o usuário vai tirar a água do mesmo com um recipiente sujo", constata.

Para evitar a contaminação da água acumulada na cisterna, Sérgio Souza dá alguns conselhos: "A cisterna deve estar sempre fechada. Deve-se tomar cuidado para fechar as frestas, por onde podem entrar insetos. E nunca utilizar o balde para retirar a água, e sim, bombas".

MAIS INFORMAÇÕES

Sérgio Henrique Braga de Souza
E-mail: sergiohenrique00@hotmail.com

Fonte:
Agência de Notícias da UFPE
Anderson Oliveira - Jornalista
Tel.: (81) 2126-8024
E-mail:
ascom@ufpe.br

Galeria: